EU QUERIA SER POETA
Eu queria ser poeta, fazendo versos harmoniosos, rimas, tecendo redes de histórias, enredos, falar de amor, paixão, saudade, felicidade, dor na partida, alegria no retorno, da vida cotidiana, coisas triviais, familiares, porque são domésticas e temos familiaridade com elas, falar de abrir minhas asas, voar, deixar meus sonhos vagarem, areia escorrendo entre os dedos.
Falar de noite de luar, de mares azuis, campos repletos de flores,sinfonia de cores, brisa suave no corpo e cabelo. Falar de conversas de bar, um novo jeito de abraçar, de falar por falar, amigos antigos, memórias revividas...
Fazer minhas histórias de fantasias, de desejos, de deslumbramentos, de surpresas, de afastamentos... queria fazer versos de coisas simples, encontrando a palavra certa , contar emoções, sensações, numa cadência simétrica de sílabas que lidas remetem ao ritmo cadenciado de nosso coração.
Como eu queria ser poeta, dizer que na sedução se encontra minha perdição, a idade aumenta minha saudade, sem sofrer não consigo viver. A vida sem amor é vazia, mas plena de dor...cada cantiga que ouço trazem de volta minha infância, época em que tinha esperança de ser feliz, tudo era uma grande ciranda...
Não consigo ser poeta, não consigo rimar, versejar. consigo sonhar e ansiar, por um amor sem dor com muita cor, um beijo de desejo, um afago mesmo que de lampejo...
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