Olá,

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São textos simples, mas saídos da emoção...

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Um grande e caloroso abraço

Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































sexta-feira, 18 de março de 2011

PRA QUÊ TUDO ISSO?
Olha só, hoje amanheci puta com você.... tá pensando o quê? sou palhaça? tá escrito idiota na minha testa? babaca? sou sindicalizada como otária? Porque devo ser tudo isso...
Ontem marcou comigo – cineminha e jantar – todo romantiquinho no telefone..amorzinho pra cá, meu bem pra lá...já não gostei de me dizer pra te encontrar na porta do cinema, mas como tinha a tal da reunião, relevei...
E lá fui eu, toda produzida, ficar te esperando... UMA HORA te esperei e não deu as caras! VOCÊ CONHECE UMA COISA CHAMADA CELULAR? PELO MENOS JÁ OUVIU  FALAR??
Porra, custava telefonar? Dava um break na reunião, dizia que ia ao banheiro – todo mundo usa essa desculpa quando quer escapar de reunião chata – e me ligava, pomba...fiquei que nem uma babaca, na porta do cinema e você nada...ainda bem que não comprei os ingressos, porque senão, além de puta ainda ia ficar no prejuízo...
E a fome? Sim, porque tinha um ‘jantarzinho’ combinado, né infeliz?? Daí que saí sem comer nada... resultado, tive que voltar pra casa e encarar um miojo muito do vagabundo porque não tinha mais nada...
Agora a pergunta que vale um milhão: VOCÊ TEM IDÉIA DO TEMPO QUE UMA MULHER DEMORA PRA SE ARRUMAR PRA UM ENCONTRO??  IMAGINA A PRODUÇÃO??  NÃO???  POIS AGORA VAI SABER....
Se é primeiro encontro, rola depilação PERNA COMPLETA, VIRILHA  (EXPERIMENTA PRA VER SE AGUENTA....), AXILA, manicure ( pé e mão ), HORAS no cabelereiro  escolhendo tons de reflexos, se escova é progressiva, inteligente ( pelo preço que meu cabelereiro cobra essa escova deve ser PhD...), chocolate, o cacete... Horas naquela cadeira, saindo fumaça da cabeça, cheiro de formol queimando nariz, mas, enfim, saio linda dali...doída até o dedão do pé – tanto me arrancaram de pele, na depilação e na manicure, couro cabeludo ardendo e doendo, mas ...linda...
PENSA QUE ACABOU???  Acabou não... isso é só o começo... Aí vem a segunda parte: ESCOLHA DA ROUPA... Sim, porque o interior tá pronto ( (pro que der e vier... ) mas e o modelito??? e a lingerie???????????
Tira trocentas peças do armário, experimenta cada uma – essa te deixa gorda ( já tinha que ter me livrado dessa droga faz tempo...), outra te deixa com cara de “reunião de trabalho” – nem pensar – e vai jogando tudo em cima da cama, tentando combinar e, de repente se lembra – o infeliz NÃO DISSE ONDE É O JANTAR... aí, danou-se a nêga do doce...aí é de pirar... lugar chique? ou uma pizzaria de calçadinha?  porque dependendo do lugar que o bofe vai decidir ( e alguns só decidem na hora....) a mulher vai estar SUPER ( bem ou mal ) vestida... roupa produzida em pizzaria – é OVER...roupinha casual em restaurante chique é MORTAL... ou seja, a indecisão na escolha beira à loucura...
Agora, vamos à lingerie... calcinha que marca...tá fora...mas também não pode ser muito cavada porque fica entrando na bunda, se for saia ou vestido... e o soutien?? com aro? ( já experimentou ao menos segurar pra ver como é ‘delicado’ aquele aro ? ) com bojo ou sem bojo ? tem que combinar com a roupa, ficar sexy sem ser vulgar...cor bonita ( bege, nem pensar... ), mas sem ficar com cara de piranha...
ACABOU??? NÃO!!!! Ainda tem que escolher sapato ( esse item é importantíssimo, porque se o bofe é da altura da mulher ou dois dedos só mais alto, nem pensar em colocar aquele sapato ma-ra-vi-lho-so de salto 7 que comprou semana passada...vai tomar sopa na cabeça dele...), bolsa  que tem que caber TUDO ( celular, chave de casa, gloss, blush, uma cerinha de cabelo pra uma eventual retocada...ah, e não pode esquecer dinheiro e cartão, porque se o bofe te larga na rua, tem que pegar táxi...), mas não pode ser uma mochila...
Agora acabou.... AINDA NÃO! Agora vem a maquiagem.... porque NÃO HÁ NADA QUE UMA BOA MAQUIAGEM NÃO RESOLVA... ah, detalhe...a mulher leva 2 horas na frente do espelho se maquiando pra sair com cara de quem está sem maquiagem!!! Se isso não é mágica, então não entendo mais nada...
Entendeu agora porque estou puta com você? Percebeu a mão de obra feminina pra encontrar com um homem e, o pior, muitas vezes o infeliz nem nota que a gente cortou um dedo do cabelo...aliás existem uns que a mulher pode ir de máscara ninja que nem percebem...
E você me deixou plantada lá...sem avisar, toda produzida, com fome...esperando.... PRA QUÊ?

quarta-feira, 16 de março de 2011

A MULHER QUE PARTE

A conversa caminhava normal...papo bom descontraído, sobre vários assuntos e, de repente, vinha a já quase famosa frase: ‘agora eu vou...’
E dava sequência...’almoçar, dormir, tomar banho...’
Sempre, sempre ela partia... nunca ficava pra ver e ser vista, ouvir e ser ouvida, sentir e ser sentida...sempre partia. Em todos os lugares, em todos os momentos, ela partia...
Como se fosse movida por asas invisíveis que, em determinada hora ansiassem por bater, assim era ela... e partia...
Levava consigo seus sonhos, ilusões, devaneios e tristezas. Levava também alegrias, risadas. Simplesmente partia. Sem razão, sem motivo, sem momento, sem horário. Partia. Um dia alguém a chamou ‘a mulher que sempre parte’... deu um meio sorriso e pensou
 ‘ se você soubesse por que eu sempre parto... parto porque nunca me sinto no lugar que é meu...parto porque minha busca é interminável, alimentada por minha inquietude interior que nunca é saciada, meus dedos buscam não sei o quê, meus olhos varrem ao redor procurando o que desconheço, meus ouvidos esperam palavras que nunca chegam, meu coração espera um amor que sei jamais terei... por isso eu parto, porque  tenho viva a ilusão de que, em algum lugar, algo mágico me espera, algo que vai me preencher, me completar, me encantar...
e nessa busca frenética, eu parto, sem lançar raízes, sem criar vínculos,  sem deixar marcas... apenas um suave aroma de perfume é testemunha de minha presença...talvez minhas palavras permaneçam em alguns, outros sequer perceberão que parti – nem me viram chegar – e assim, eu parto, em busca de algo desconhecido mas que será familiar ao encontrar, porque vive em mim desde sempre...
parto em tentativas desesperadas de aplacar minhas inquietudes, perplexidades, anseios e sonhos...nesse caminhar,encontro pessoas, mas nunca as que busco...encontro coisas, mas nunca as que espero... e que nunca virão, porque sempre parto em busca de mim...’
DANÇA COMIGO

Dança comigo, a valsa dos encantados, o bolero dos enamorados, o tango dos apaixonados...dança comigo, ciranda de roda, samba rasgado, frevo ou xaxado, somente dança comigo...
envolve meu corpo nos teus braços e me leva, rodopiando, em passos leves, pelos salões da vida, com vestido rodado, em salões iluminados, nos dias ensolarados ou nublados, nas noites enluaradas, aquelas dos namorados...
dança comigo, pela vida, a cada momento, em cada cenário, seremos nós, somente...
vem... dança comigo, encosta teu corpo no meu, sente meu coração batendo no compasso do teu, os dois juntos, como juntos são os nossos passos, seguindo os compassos, dessa dança que se torna dádiva, porque quem dança somos tu e eu



sábado, 12 de março de 2011

O LUTO DE DORA

Dora abriu os olhos lentamente fixou na parede à sua frente... pouco a pouco tudo foi entrando em foco e, sem se mexer, começou a perceber, primeiro o quarto, a cama onde estava deitada... bocejou, abriu os braços, ainda deitada, se revirou um pouco e, afinal, levantou  e sentou na beira da cama...
Tornou a se espreguiçar, levantando os braços bem alto, sacudindo o resto de sono e moleza que teimavam em ficar...’tenho de ir pro hospital...ahnnnn’, novo bocejo...
Afinal levantou, preparou café, se arrumou e saiu.. .dois ônibus, pra chegar naquele fim de mundo que ficava o hospital... ‘até pra  ficar doente, o infeliz dá trabalho e aporrinhação...não podia ter passado mal mais perto de casa?...mas não, o ataque daquele coração desgraçado tinha que ser perto do trabalho, aquela fábrica em deus me livre... agora ficou eu, dois ônibus pra ir, mais dois pra voltar...aff, que merda...’
Chegou ao hospital, procurou o médico – ocupado, pra variar. Sentou para esperar. ‘estou nos trinques’ riu pra si mesma...
Fingir ansiedade, tristeza, preocupação? por causa daquele filho da puta que passou mais de 10 anos traindo a ela com todas as mulheres que encontrou no caminho??? nem as vizinhas da rua escaparam da cantadas de cafajeste dele...
Na vida de Haroldo  só poucas coisas interessavam – mulher, mulher, mulher, papo no botequim com os amigos onde paquerava mulheres e o inferno do futebol na televisão – esparramado no sofá, com uma bermuda esmulambada, enchendo a cara de cerveja, coçando saco e xingando todos os palavões com derrota do seu “mengão, o timão”...
Agora estava ali, deitado numa cama de enfermaria de hospital público ( o desgraçado nem plano de saúde nunca fez), naquela lonjura...e ela esperando o médico que, afinal chegou, e deu notícias ruins
“Estado do seu marido é muito grave...estamos fazendo tudo, mas organismo não está reagindo...melhor a senhora ir se preparando, porque pode ter uma notícia muito ruim em breve...”
‘Notícia ruim’ – ela pensou... ‘notícia ruim o escambau...só se fosse pra saber que aquele filho da puta estava melhorando e ia voltar pra casa pra continuar me enchendo o saco, com suas galinhagens, bebedeiras, arrotos e coçação de saco...notícia boa, isso sim...aliás ÓTIMA’
Entrou pra ver aquele trapo jogado na cama...quanta ironia, antes tão arrogante, tão cheio de impáfia, um garanhão, se gabava de ser “comedor...mulher nenhuma me escapa”...agora ali...
Ficou pouco tempo – só ia mesmo pra marcar presença e calar boca das vizinhas faladeiras que todo dia vinham perguntar pela recuperação do infeliz, procurando consolar Dora, que, no fundo sabia que, muita delas tinham  passados horas e horas na cama com o desgraçado...
Mas posava de esposa preocupada – afinal o infeliz ainda estava vivo – vai que resolve ficar curado e voltar pra casa – tinha que manter aparência de esposa  amorosa e preocupada, embora soubesse que, no bairro ( não só na rua ) o descaramento dele e os chifres dela  eram assunto diário...
Cecília, amiga de juventude, chegou e, sendo a única confidente de Dora, disparou
“E o estafermo? sai dessa ou agora embarca de vez?”
Cecilia participou das humilhações de Dora, esteve ao seu lado quando descobriu as primeiras traições... ouviu seu choro no início, depois sua revolta, depois sua indiferença...para Cecília não fazia teatro...era pão-pão, queijo-queijo, sem máscara de esposa atormentada...
Dois dias depois, chegou ao hospital e o médico comunicou: ‘seu marido acabou de falecer – tentamos ligar pra sua casa, mas não atendeu – acho que a senhora já estava vindo pra cá...’
Dora olhou para ele, tentando fazer um arremedo de surpresa dolorida, mas no fundo, ria solta – ‘afinal foste, vagabundo...e foste na semana do carnaval...tua época de pegar mais  mulher...ficar bêbado, varando madrugada na rua...esse carnaval tu não vê, desgraçado...’
Providenciou enterro – maioria de vizinhos do bairro mesmo – mulheres às pencas chorando – Dora se perguntava quantas, ali, ‘tinham ficado viúvas’...e riu por dentro...
Na rua em que morava, havia um bloco de carnaval – coisa simples, mas animado, percorria as ruas, trazendo pessoas para dançarem e outras ficavam na janela mesmo, espiando, como Dora. Nunca participou – o filho da mãe do Haroldo, vestido de mulher, bêbado, atracado com a mulherada, passando a mão na bunda de várias, fazia com que ela se envergonhasse até de chegar na janela...Mas ouvia a cantoria, o ritmo dos tamborins e, sozinha, dentro de casa, se acabava de dançar...adorava carnaval, mas nunca ia permitir que as sacanagens carnavalescas de Haroldo fossem jogadas na sua cara, na frente de todos...preferia ficar em casa, sambando sozinha.
Boa de rodeios e remelexos, sacudia as ancas no ritmo dos tamborins, sorriso aberto no rosto, se imaginando no meio dos outros, virando os olhos de alegria...essa ficava entre as quatro paredes da casa...
Sexta-feira, véspera de carnaval, Cecília entrou esbaforida, cheia de novidades:
“Cê num sabe que aconteceu... acho que agora carnaval do bairro melou de vez... sabe Leilinha? coitadinha...”
“Que Leilinha, amiga? Sei lá quem é... mais uma das amantes do safado? não me diz que apareceu grávida...”
“Que amante? que grávida? Leilinha, filha da dona Marieta, menina de 14 anos...”
“Ah, isso de ter 14 anos nunca foi impecilho pras semvergonhices  do infeliz, você sabe, tão bem quanto eu...”
“Mulher,ouve.. .Leilinha, que carrega o estandarte do bloco daqui do bairro... crise de apendicite, operada às pressas, essa madrugada... dona Marieta tá numa aflição só, com susto que passou...”
“Sim, mas a menina tá passando bem? ou aconteceu mais alguma coisa?”
“Ixxi, não aconteceu..  .ainda, mas vai acontecer... – dando uma paradinha pra tomar fôlego, disparou – e agora, quem vai segurar estandarte do bloco?”
Dora deu um pulo da cadeira, olho brilhando, cabeça a mil por hora
“O problema então é QUEM VAI SEGURAR ESTANDARTE DO BLOCO? é isso mesmo? é por isso que cê disse que melou carnaval do bairro?”
“Ué, então.. .bloco sem estandarte, fica meio sem graça...Leilinha dançava tão linda, rebolando, eita menina pra sambar no pé... agora, de cama, operada...quem vai segurar estandarte?”
“EU !!!! CLARO!!!”
“Agora cê endoideceu de vez..... tá maluca, mulher? tem nem 7 dias que teu marido morreu, nem missa ainda teve... vai sair pelas ruas do bairro, segurando estandarte de bloco de carnaval?”
“VOU E TE DIGO MAIS... ME AGUARDE QUE TU VAI CAIR DURA...!”
“Virji, Dorinha, olha sei que o cafajeste num valia nada mesmo, deve de tá ardendo numa fogueira bem grande, mas o povo!! Dorinha....o povo vai falar cobras e lagartos de você, mulher...”
“Tô me lixando pro que vão falar.. .aliás sempre falaram muito de mim...lá vai a corna, a chifruda, a traída... foi sempre assim que falaram de mim no bairro...agora, vão falar ‘lá vai nossa sambista, segura nosso estandarte como ninguém...’
Nenhum apelo de Cecilia mudou idéia de Dora que ainda mandou amiga avisar no bloco que estandarte ia sair, sim, mas fez amiga jurar, dedos cruzados, que não ia contar quem ia segurar o dito cujo...
Sábado de carnaval, povo aglomerado na esquina, esperando os tamborins e os surdos atacarem o samba – estandarte encostado numa parede, esperando aquela que vinha levá-lo...desde que Cecilia disse que já tinha quem segurasse estandarte, ficou uma boataria nas ruas, todo mundo querendo saber quem ia substituir Leilinha – tinha que ser muito boa de samba no pé...
E eis que surge, Dora, esplendorosa, VESTIDA DE VERMELHO DO SAPATO, PASSANDO PELO VESTIDO JUSTO ATÉ A FLOR NO CABELO...
Sua chegada já foi um choque, só a roupa assustou meio mundo, mas o escândalo ficou completo quando Dora, uma chama incandescente ambulante, pegou estandarte, olhou pro mestre dos tamborins e surdos e soltou
“Vamos lá, meu povo... vamos sambar que hoje é carnaval...”
E começou a rodopiar, antes mesmo do primeiro ripinique... e quando o samba atacou,  lá ia Dora, na frente do bloco, toda de vermelho, sambando tudo que tanto sambou entre 4 paredes...
Agora, era vez dela... sem Haroldo pra lhe afrontar, dançou e sambou tudo que sabia e podia...Povo comenta, até hoje, nas ruas daquele subúrbio, que foi o grande desfile do bloco – aquele em Dora rodopiou, toda de vermelho, com estandarte na mão...
Acabado desfile, Cecilia chegou perto de Dora e falou
“Amiga, cê arrebentou..”. e começou a rir – emendando, ainda com riso solto – e eu que pensava que cê tava de luto...”
“E estou... pra defunto como Haroldo, cafajeste, salafrário, galinha, o luto é samba no pé, vestida de vermelho, em sábado de carnaval...”



quinta-feira, 10 de março de 2011

QUEM É VOCÊ?

Você que se apresenta como uma princesa, linda, leve, solta, uma quase pluma no ar...ou, quem sabe, aquele bravo e destemido homem que enfrenta perigos, mas mantém a fragilidade para se mostrar humano...
Quais são seus sonhos? não aqueles que você expressa, mas aqueles escondidos lá no canto do coração.. o que você está buscando aqui? qual sua idade? é casado ou casada? tem filhos? trabalha?...
Você é uma pessoa ardente, sedutora ou em tímidas frases deixa que percebam seu calor interior? mora só? sente-se só? o que gosta de fazer...caminhar, cinema, teatro, ler, namorar... um pouco disso? nada disso?
Quanto de verdade existe em suas frases...ou tudo é mera fantasia, um gigantesco faz-de-conta que ajuda a preencher seus vazios interiores?
Você admite suas carências, necessidades, anseios, mergulhos de alma ou simplesmente fica plainando, acima de tudo e de todos, em total distanciamento ?
Seu riso vem do coração ou é um simples retorcer de músculos do rosto, uma máscara de alegria que esconde a verdadeira tristeza que assombra suas noites e torna nublados seus dias ?
Por quê, inventou esse nome? alguma recordação ou desejo secreto, não concretizado? e nesse mundo de fantasia, nesse grande carrossel de ilusões,  somos todos, por alguns momentos, príncipes, princesas, heróis, frágeis mocinhas esperando o amor e a felicidade? ou tão-somente estamos ali  para ter certeza que nossa solidão não é a única...muitos outros também estão sós, tanto ou mais do que nós...
Diante de uma tela as fantasias voam,  livres de amarras – a vida diária nos impõe amarras, limites...agora existe para cada um, ao alcance da mão, num simples teclar, um imenso mundo de possibilidade para viver sua fantasia de pirata, de rei, de mulher ardente ou recatada... idades inventadas, nomes criados, cidades sonhadas...
Olá, tudo bem? tecla de onde? quem é você?

terça-feira, 8 de março de 2011

CARTA AO MEU AMOR

Um dia, cruzaste minha vida – encontro fugaz, rápido, nem mesmo notaste que eu estava ali – apenas olhaste e partiste. Nesse dia, me enamorei de ti – um amor sem esperança, sem retribuição, sem amor...
De novo, te encontrei e outras tantas vezes, te olhei, olhos ardentes, apaixonados, mas nada percebias...somente passavas e eu ali, à espera, do teu passar, do teu olhar, do teu sorriso...nunca vinham esse olhar, esse sorriso...
Passavas, lindo aos meus olhos, alma de príncipe aos meu sentidos, desfilando tua indiferença que, cada vez, cravava mais fundo em meu peito... mas meus suspiros por ti permaneciam...não sabias de mim...
Meu coração gritava por ti, a cada vez; meu amor me colocava em teu caminho, a simples alegria de te ver passar me bastava, iluminava meu dia, acalentava minhas noites.
Dia após dia, te esperava, ansiando por um sorriso teu, um olhar, uma palavra – e só o vazio me davas...Nunca partilhei esse amor desvairado com ninguém – apenas eu e meu coração te conhecemos e te amamos!
Segui teus passos como uma ensandecida, por ruas, becos, praias e bosques – nunca fisicamente – na minha imaginação, te via em festas, no trabalho, em viagens...
Nunca soubeste do meu amor – nunca soubeste de mim...esse amor me consumiu, ardeu em meu peito por uma vida...teus cabelos ficaram prateados – os meus também – mas o amor que me despertas permaneceu jovem, como dos primeiros dias de juventude.
Hoje não mais tenho forças, nem para te seguir, ensandecida, em pensamento; hoje meu amor se revela a ti porque sei que nunca mais vou te ver passar – perdi teu sorriso, teu olhar, teu caminhar de príncipe...
Minha carta vai contigo – a única forma de te dizer que foste o homem mais amado, foste luz em minha vida, foste calor em meu peito – hoje vais saber...ah, meu amado, amor de uma vida, como me fizeste feliz em poder sentir esse amor imenso, sobrenatural que se agigantava em mim a cada dia...
Lê esta carta, não mais com teus olhos, mas com tua alma, tuas emoções e sentimentos...e sorri para mim, de onde estiveres, que me aquecerei com teu sorriso e ficarei plena com o amor que, enfim, saberás que sempre foi teu...
Um dia....quem sabe....estenderás a mão para mim – um gesto que esperei tanto – me olharás nos olhos e, enfim, sorrindo, me dirás...bem vinda, amor da minha vida...
MÃOS

Olhou para a mãos...não mais jovens, com veias aparecendo, meio trêmulas, às vezes, mas grandes companheiras de longa jornada...
Com elas, segurou bichinhos de pelúcia, quando bebê; com elas, comeu a primeira vez em vôo solo, mais se lambuzando que alimentando, mas primeira  experiência de independência; com elas penteou e arrumou os cabelos – coisa que fez milhões de vezes durante a vida...
Mãos que seguraram lápis de cor, numa alegria de ver desenhos surgindo, ainda que desajeitados; mãos apreensivas que seguraram o primeiro lápis na escola primária, que responderam perguntas de provas – tantas provas, que nem mais se dava conta – mãos que levantaram, rápidas, para responder perguntas de professores...
Mãos que tocaram piano, vestiram bonecas, prepararam bolos de terra e água comemorando aniversário de cachorro... mãos que seguraram a corda do balanço, firmes, coração batendo forte, com medo de cair, naqueles vôos indo e vindo lá no alto...
Mãos que aprenderam a se maquiar, a escolher roupa para primeiras festas de adolescente, mais uma vez coração batendo forte em saber como seria a festa, quem ia estar lá...
Mãos que pegaram primeiro, segundo, terceiro diploma, que acenaram para ônibus, que se seguraram em balaustre de trem, de madrugada, indo para subúrbio dar aula, mãos que escreveram cartas, abriram cartas de namorado – as mesmas mãos enxugando lágrimas de decepção com término de namoro naquelas linhas de carta...
Mãos que trabalharam, aprenderam a dirigir carro, foram estendidas para receber aliança, mãos que seguraram buquê de noiva, que seguraram um filho pela primeira vez...
Mãos que trocaram fraldas e deram banho, que alimentaram, que seguraram nos primeiros passos daquele ser que crescia, mostrando o caminho, cuidando para não cair...
Mãos que assinaram  separação, que trabalharam, produziram, sustentaram, física, emocional e financeiramente... mãos que aplaudiram vitórias e sustentaram nos fracassos...
Mãos, enfim, que viveram.. .e também tiveram as marcas dessa vida desenhadas nas palmas e dorsos...
Mãos que rezaram, que ampararam, que agradeceram - mãos, enfim, que, como companheiras de uma vida, ajudaram a moldar sua vida e outras vidas... algumas vezes acertando, outras tantas errando...mas firmes, presentes...
E agora aqui estão elas... meio cansadas, não querendo mais ter que enxugar lágrimas que teimam, insistem em cair, mãos que buscam e, quase sempre, encontram um vazio para segurar...
Mãos que precisam de apoio para se manter, de outras mãos para guiar no andar, para se alimentar – como lá no princípio, quando antes eram as suas  mãos a guiar - agora, são outras a amparar, a nutrir...
Mãos que permaneceram fiéis e assim vão ser até que, fracas, não mais possam produzir, limitando-se a rezar, agradecer e, vez em quando, enxugar uma lágrima que insiste em cair...

segunda-feira, 7 de março de 2011

CANSEI

CANSEI

hoje tive vontade de escrever....mas não tinha vontade de escrever sobre nada...me dei conta que cansei...cansei das coisas, das pessoas, da vida, desse ritmo ilusório de que estamos sempre ocupados, quando na verdade, estamos, mesmo, é isolados...
olho para pessoas e as vejo tão distantes – de mim, umas das outras – o mundo está isolado, a humanidade está solitária. Encontros são marcados e as pessoas desmarcam em cima da hora ou nem desmarcam...apenas não comparecem...
há algum tempo vi um filme que me impressionou muito – confesso que cheguei a ter dúvida se esse filme existia mesmo ou se não passou de invenção minha, até que encontrei uma médica que o viu, também – salvei minha sanidade, com essa informação – alguém mais viu, o filme existe, mesmo – ‘ Denise está chamando ‘ – história de 8 ‘amigos’ que partilham seu dia-a-dia, nos menores detalhes: finanças, dores, amores, doenças, alegrias, ganhos, perdas...tudo, absolutamente tudo....através da via eletrônica...
um dia, um deles marca uma festa para que todos possam, enfim, se ‘conhecer’ pessoalmente... balões no teto, comida preparada, bebidas geladas...e a espera começa...passa uma hora, passam duas, três...e nenhum deles aparece...
no dia seguinte, a vida de todos segue normalmente, como se aquele encontro jamais tivesse sido marcado – sequer comentaram sobre ele...
assim são muitas das coisas hoje...distantes, vazias, isoladas, solitárias.
mas sobre isso pode-se escrever – grandes textos literários fizeram sucesso e deixaram sua marca exatamente porque retrataram a tragédia, a tristeza, a dor humana – Romeu e Julieta não seriam imortais se vivessem um grande amor sem obstáculos... Hamlet, sem suas dúvidas e tragédias internas, seria apenas mais um príncipe... a inveja e a cobiça nutriram as filhas do rei Lear... sem mencionar Abelardo e Heloisa, Antígona, Édipo..- todas grande, gigantescas tragédias...
todas imortais, atravessando séculos, arrastando as correntes da dor e da miséria humana pelos tempos...
cansei de tragédias, de dor, de solidão, de conflitos, de isolamento, de sofrimentos... a tristeza corrói a alma, rasga nossas entranhas
não quero mais...cansei...