Olá,

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São textos simples, mas saídos da emoção...

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Um grande e caloroso abraço

Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































domingo, 16 de dezembro de 2012

MILAGRE



A geração que nasceu após a 2ª guerra mundial é, verdadeiramente, um milagre !! 
Senão vejamos: somos filhos de pais e mães que nasceram no início do século XX e netos e bisnetos de pessoas que nasceram ainda na época do Império. E digo que somos um “milagre” porque nossos antepassados viveram o suficiente para sermos gerados. Até aí, tudo bem. Então, onde está o milagre?
No fato de tanta gente ter vivido e, principalmente, sobrevivido sem desodorantes que têm ação por até 48 horas ( isso significa exatamente o quê ? que pode se passar 2 dias sem tomar banho ou que, mesmo com o banho, aquele produto mágico permanece no corpo ? ), sem filtro solar, sem celulares ( aliás nem telefones fixos existiam até determinada época), sem celulares com câmera, filmadora, internet, mil aplicativos, televisões gigantescas que ocupam, hoje, o lugar que, antes, era ocupado por bons quadros...
Como sobreviveram sem iougurtes que fazem os intestinos funcionarem como um relógio, como se divertiram sem as cervejas que descem redondas, que são a nº 1, sem transmissões ao vivo de qualquer evento de maior porte...
Nosso antepassados devem ter sido verdadeiros gigantes pra sobreviverem sem cartões de créditos que resolvem TODOS seus problemas em qualquer parte do planeta, sem os créditos bancários mirabolantes que permitem que se compre qualquer coisa, sem as liquidações e “queimas de estoque” que, se não aproveitadas, fazem com que os apáticos se sintam uns idiotas....
Isso sem falar, claro, da enxurrada de carros de último modelo, todos vendidos por “apenas” $$$$... e as coisas que fazem um “homem de verdade” ?? terno, gravata, prato frances ( ? ), sapato.... carro na garagem..... E aí me pergunto: quem não tem essas coisas, não é homem ?
As mulheres são assoladas por cremes anti rugas, anti celulite, uma imensidão de tinturas de cabelo, mil e um aparelhos que prometem perder centímetros, quilos num piscar de olhos...
Relembro nossas mães e avós com seus cachos naturais, lavando rosto com sabonetes comuns, aceitando, tranquilamente, os quilos ganhos com a idade. Lembro de nossos pais e avós ( nunca soube qual o plural de avô, portanto me desculpem... ) usando terno, gravata, sem o carro zero na garagem e que eram considerado HOMENS porque cumpriam com seus compromissos, muitas vezes selados com um aperto de mão ou um fiapo de bigode.
Foram heróis porque sobreviveram a toda essa escassez e nos geraram pra que, então, pudéssemos criar toda essa parafernália da qual nos tornamos escravos ! 
E somos NÓS o "milagre" ???
Simone de Faria

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


LIDANDO COM A MORTE

 Ontem me perguntaram: “qual foi a primeira vez que você lidou com a morte?” – de imediato me lembrei da minha amiga, de 21 anos, como eu, que, num domingo estava no cinema e, na 4ª feira, estava morta. 
Foi a primeira vez que me deparei com a morte. Além da perda em si, a tragédia ainda crescia pela rapidez com que uma doença assintomática, tomou-a de assalto e levou-a, 5 meses antes de seu casamento. A dor foi acompanhada pela surpresa, pelo inesperado, como se agigantando na minha frente.
No entanto, passado o momento dessa primeira resposta, comecei a pensar que existem várias mortes em nossas vidas – físicas e emocionais. Somos obrigados a viver inúmeros lutos, em maior ou menor intensidade, mais longos ou breves. 
Mas o luto está presente em nossa vida, como nos mostrando a finitude. Através desses lutos, vamos nos fortalecendo, buscando escoras emocionais em nosso interior. Existem pessoas que se jogam nos lutos da morte física, mas ignoram ( ou pelo menos fingem ignorar ) as mortes emocionais. 
Repensando minha vida, vi que a primeira morte que enfrentei foi a perda dos meus “pais de infância”. Não que tenham morrido, fisicamente, mas as figuras que enxergava, até então, foram substituídas, pouco a pouco, por outras, já sob um olhar de início de adolescente.
Hoje consigo perceber que, naquele momento, tive, inconscientemente, a sensação do “vazio” -  inexplicável, então, mas tão visível para a mulher que me tornei. Não só lembro da “perda” em si, como dos sentimentos que me engolfaram, por longo tempo, sem que eu conseguisse dar a eles identidade, nome ou compreensão.
E mais uma vez, hoje, me deparo com a morte – dessa vez física – de uma das minhas gatas – Constança.
Caminhando pela rua, voltando para casa, pensava nesse lidar com a morte, após levá-la para ser cremada ( contra minha vontade, porque sempre coloquei meus ‘peludos’ em local onde eu pudesse voltar e visitá-los, mas hoje não foi possível ).
Sempre busquei um recolhimento, para viver meus lutos. Entendo que, como o nascimento, a morte é vivida solitariamente. Seja  a morte de um ser vivo, seja de um sentimento, de uma etapa de vida. Sempre procurei o recolhimento, o isolamento.
Não consigo transmitir com palavras ou gestos o que sinto. O vazio se instala e ali permanece por um longo tempo. 
Entendo que esses vazios fazem parte de nossa vida, são mesmo necessários, para que o novo tenha espaço ao chegar até nós. Mas não tenho pressa que eles desapareçam – pelo contrário, deixo-os existirem, amadurecerem em mim, enquanto eu, também, amadureço com eles, como se estivesse me preparando para o novo que vai chegar.
Sei que outros lutos virão e vou ter que lidar com a morte várias vezes, ainda. Nunca lidarei da mesma forma. Cada vez será única, porque eu, também, serei única, renovada, amadurecida, mais sensível. Lágrimas virão, em maior ou menor quantidade – nada a ver com a intensidade dos sentimentos, mas tão-somente reflexos do meu interior naquele momento.
Assim, vou vivendo minha vida e, ao mesmo tempo, lidando com a morte.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A TI

A ti, dei o que de melhor havia em mim: meu amor, meu carinho, minha sinceridade.

Minhas emoções coloquei todas nas tuas mãos, como se, ao fazer isso, pudesse te fazer  ver como eram intensas e verdadeiras....

Tudo foi rechaçado. Pisaste nas emoções, nos sentimentos.

Quiseste semear pedras em meu coração - de nada adiantou, porque continuo semeando amor, carinho e emoções verdadeiras, intensas.

A ti deixo a saudade do que não foi, o suspiro que prendi, o olhar que se perdeu no horizonte.

Em mim, deixas a lágrima que escorreu, os sonhos derretidos.

Simone de Faria