Olá,

Seja muito bem vindo (a) !

São textos simples, mas saídos da emoção...

Quero muito saber sua opinião - compartilhe comigo e com os outros.

Um grande e caloroso abraço

Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































terça-feira, 26 de abril de 2011

O ESQUECIMENTO

A gargalhada, seguida de palmas, ecoou no teatro vazio. Heitor, sentado na segunda fila e Júlia, no palco, olharam na direção dos ruídos. Heitor, sentado, enxergou logo, mas Júlia, sob os holofotes, teve que colocar a mão nos olhos, pra ver. Ali estava ela, grandiosa, com sua aura de eterna diva – Margarida – envolta em echarpes, sua marca registrada, maquiagem pesada, descendo majestosa em direção ao palco.
Levantando, Heitor foi até ela, com um gentil beijo na mão, convidou-a pra sentar...
“A que devemos a honra? assim, de repente? ...”
“ Não tão de repente, meu caro... – e deu tapinhas na perna de Heitor - ...não repentino...se fosse mais...digamos, perspicaz, imaginaria que era questão de tempo eu aparecer por aqui... não é?” – olhando fixo pra ele
Júlia, ainda no palco, observava a conversa, tentando, através da luz do holofote, ver melhor Margarida. Movimentou-se no palco, buscando um ângulo com melhor visão...seu movimento atraiu atenção de Margarida
“Então é você, minha jovem ( carregou na expressão ) quem vai ser a nova Margot ?...grande responsabilidade... hum... – jogando a echarpe por cima do ombro emendou, sem esperar resposta – espero que não se importe se eu ficar um pouco por aqui...”
Olhou pra Heitor, não perguntando, mas informando sua intenção de ficar e fez um gesto de mão como dizendo ‘prossiga’...
Júlia, até então muda pela surpresa da visita e por ser ver frente a frente com a grande atriz, uma diva, sentiu as pernas fraquejarem quando viu que ela pretendia ficar e assistir o ensaio – mais passagem de fala, na verdade...
A um sinal de Heitor, retomou a leitura, voz saindo fraca, no início, intimidada... o diretor pediu que relaxasse e retomasse, com a emoção de antes da interrupção... Margarida fuzilou-o com os olhos, com a palavra ‘interrupção’ – como ousava ele?...
Aos poucos, pressão foi baixando e Júlia retomou e, quando chegou ao final, uma Margot esplendorosa brilhava no palco. Heitor virou-se pra Margarida e a viu parada, olhar bem longe, mas suas mãos, retorcendo em seu colo, mostravam a emoção sendo absorvida por aquela mulher...
“Foi bom, minha jovem, foi bom...claro que ainda tem muito pra aprender, mas pra quem está começando ( nova ênfase ) até que não está mal... e você, Heitor, procure interferir mais nos ensaios...não fique tão apático...”
Ela disparava farpas pra todos os lados, despejando emoções sem controle. De repente se levantou, jogou a echarpe e, já de costas, caminhando pra porta, abanou a mão  e disse ‘até logo’, sem olhar pra trás...
Na rua, acenou pro primeiro táxi que viu e deu endereço de casa. Olhava pela janela do carro, sem ver o que passava. Pensativa, distante, a voz de Júlia ainda ecoando nos ouvidos aquelas frases que conhecia tão bem...
Saltou do carro, entrou em casa – seu quarto era seu único refúgio atualmente – olhou em volta, abriu armários, gavetas, colares antigos, várias echarpes, vestidos longos...sua vida  colocada na sua frente, através do que usou... lembrou das noites de estréia, camarim repleto de flores, pessoas vindo abraçar, elogiando sua atuação e ela reinando, absoluta, no meio daquele burburinho... quando pisava no palco, em sua primeira entrada em cena, podia sentir a platéia quase prendendo a respiração...
Esse magnetismo que exercia nas pessoas no palco, trazia na vida real – mantinha-se diva 24 horas por dia...vestia-se e se comportava como grande estrela, estivesse ou não no palco...  se olhou no espelho e deu um rasgo de sorriso... diva ... onde estavam as flores? as pessoas aplaudindo, prendendo respiração?
Não lembrava como nem quando começou o esquecimento... os convites começaram a escassear, suas atuações já não despertavam grande interesse popular, com ingressos sendo disputados...pouco a pouco, tudo foi diminuindo... até não mais chegarem roteiros, flores, pessoas... Vagava sozinha pela casa, acompanhada das lembranças, colares, echarpes – de lembranças era feita sua vida hoje...
Tornou a se olhar no espelho e o sorriso triste surgiu no canto da boca vermelha de batom...hoje, vendo Júlia no palco, tão jovem, tão fresca, com tanta paixão, se lembrou de si mesma no início – tudo se repetia – o mesmo entusiasmo, a mesma entrega, as mesmas ilusões, a mesma certeza ((insana) de que duraria pra sempre...
Uma nova Margot surgia, uma nova estrela pra ser mimada, adulada, cortejada, aplaudida... depois dela, nunca mais outra atriz viveu aquele personagem tão complexo, tão cheio de nuances, dúvidas, crises existenciais... A comparação com sua atuação seria inevitável... fotos antigas seriam resgatadas, mostrando-a no apogeu da juventude e quem sabe, alguma foto atual – que Deus a livrasse desse embaraço...
Foi ao teatro naquela manhã – queria ver a nova Margot – não iria assistir à peça, muito menos à estréia...sua saída de cena seria triunfal...seu status de diva seria mantido intacto...
Uma garrafa de scotch na mão e um vidro de comprimidos na outra – uma rápida olhada no espelho, conferindo echarpe, cabelo e maquiagem – deitou-se na cama, comprimidos e scotch seguiram pelo mesmo caminho... não demoraram a fazer efeito – o que ela desejava... Uma diva, envolta em echarpe, colares, maquiagem e sonhos desfeitos... assim foi descrita nos jornais, ao lado de fotos antigas de sua época de glória. Mesmo após a morte, manteve-se diva.




sábado, 23 de abril de 2011

EU TE QUERO

Eu te quero, por inteiro, sentindo tua respiração no meu rosto, pescoço, tuas mãos  me acariciando, suaves como pétalas, apenas deslizando na minha pele... Eu quero acariciar teu rosto, sentir teu cheiro, mergulhar nos teus olhos...me perder nesse enlevo, nessa entrega,   misturar nosso respirar, nossas carícias suaves a princípio, exploratórias, crescendo de intensidade à medida que nos envolvemos...
Sentir teus olhos descendo pelo meu corpo, ainda vestido, numa procura, buscando desvendar o que permanece velado, adivinhando contornos, e com esse olhar me seduzir, me devorar, me provocar...
Eu  quero buscar teu ar, tuas mãos, me entregar nos teus braços, nossas peles ardendo, misturando suor, suspiros, beijos e desejos. Vem,  me toma em teus braços, te entrega em meus abraços, te perde em meus beijos, suspiros, afagos e desejos... apenas me deixa te querer, abandona teu corpo ao meu ritmo, deixa eu te conduzir por cantos e recantos de magia, encantamento, sedução e plenitude...
Minhas mão  alcançam tua roupa e vou te despindo, enquanto suspiro com tua respiração me perfumando a pele. Então começamos um bailado, braços esticados, depois abraçando, enroscando nossos corpos, pernas grudadas, caminhando como uma só. Chega mais perto, me traz alento, caminha comigo nesse descobrir eterno, onde cada vez é uma primeira, olha nos meus olhos, sente minha respiração apressada, minhas gotas de suor misturadas às tuas, assim como misturados estão nossos corpos.
Acaricia meu cabelo, minha pele, murmura palavras de amor e desejo nos meus ouvidos, se perde nesse rodamoinho de emoções, nesse vulcão de sentimentos... suspira comigo... vem  viver momentos de paixão, desejo, beijos quentes como pimenta, brasa acesa queimando e consumindo, tirando fôlego pra explodir em saciedade, fragilidade de entrega total...
E nesse bailado nos entregamos, fazendo nosso ritmo, às vezes como bolero, outras como tango, pleno de paixão. Explodimos e nos olhamos, ternura, calor e saciedade aparecem no teu rosto e no meu, refletindo nos nossos corpos, suados, ainda aconchegados, retendo por algum tempo, todo aquele calor. Eu te quero...vem...
SONHOS
Apenas deixo que as palavras corram soltas, livres de meu coração para meus dedos tecendo, assim, mais um enredo. Pessoas como eu não sentem medo de mostrar sentimentos, emoções. Tantas, tão variadas – dor, saudade, amor, alegria, decepção, paixão, entrega.
Sonhar, suspirar, ansiar pelo encontro, pelo beijo, o abraço, o afago, alguns doces, suaves como plumas, outros envoltos em brasa, ardendo, queimando, perdendo fôlego, razão.
Nesse grande mar de emoções tão opostas mas, ainda assim, tão fortes, vou construindo meu caminho, meu viver. Pavimentando mais de sonhos que de realidade, muitas vezes, pra trazer alento ao coração. Loucuras? fiz algumas – arrependimentos, poucos – mais do que deixei de fazer, do que daquilo que fiz.
Escolhas aconteceram – algumas previsíveis, outras nem tanto... inusitado sempre foi bem acolhido por mim...planejamento traz segurança, mas tira impacto da surpresa, a respiração suspensa diante do inesperado...
Sonhar, dar asas à imaginação, criando um mundo mágico, repleto de fantasias, cores e encantamento. Esses momentos de devaneio me trazem alívio no dia-a-dia, aquecendo meu coração. Chamem-me sonhadora, mística, idealista, louca.. .não me importo...  construo  meus sonhos do meu jeito – neles sou princesa, ou uma fada, sou ave com asas sobrevoando lindas paisagens, vejo um canteiro de flores perfumadas, caminho por castelos, viajo por mares, aporto em ilhas paradisíacas, vivo amores intensos, paixões que me consomem...
Meus sonhos, devaneios, anseios...  meus  momentos de loucura que me livram da insanidade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

SEDUZIR É UMA ARTE

Quanto a isso, penso que todos concordam. A história nos mostra que desde sempre, grandes seduções ocorreram, algumas até mudando rumo da história, como Cleópatra e sua sedução dupla com César e Marco Antonio. Mas o que me chama atenção é que nessa ‘arte’ encontramos muito mais mulheres  que homens – dois famosos: Casanova  e Don Juan – tão poucos que viraram denominações pejorativas pra homens puladores de cerca...
Mas  se seduzir é uma arte, então há que ser um artista a praticar... e que arte é essa? e  por quê é uma arte? Seduzir não é uma coisa escancarada, explícita, exposta – pelo contrário – seduzir nada tem a ver com sexo – esse pode ou não acontecer...
A sedução é praticada com olhos, gestos, palavras sutis, movimentos contidos – não é uma aproximação como de uma profissional – mas sim algo que deixa levemente suspensa no ar uma fantasia... a arte da sedução esconde e revela, jamais se desnuda, não é despudorada, óbvia, mas é envolvente, se aloja no imaginário do outro...
Percebe-se nitidamente que as mulheres são muito mais hábeis nessa arte que os homens...uma pena...primeiro porque seduzir é muito bom, é um exercício de atração, de provocar o outro, sem chegar a extremos; depois porque as mulheres agradeceriam, sim, se fossem seduzidas eventualmente...
Criou-se um mito que mulheres que seduzem seriam ‘fáceis’...ledo engano – talvez as mais difíceis, porque como conhecem a arte da sedução e a exercitam, identificam, rapidamente, se aquele homem é, também, um sedutor... A noção de sedução masculina é diferente da feminina. Pra eles, seduzir é conquistar, levar pra cama e ...fim... isso não é sedução..
A arte de seduzir implica em movimentos leves, delicados, quase um bailado, mais escondendo que mostrando, mais deixando por conta da imaginação que trazendo ao plano real...
Os homens dizem que gostam de ser seduzidos porque é uma forma de se sentirem desejados... nem sempre, me desculpem...  muitas vezes uma mulher pratica essa arte, não porque aquele homem seja desejável ( da forma que ele entende ‘ desejável’ – quero ir pra cama...), mas porque aquele homem despertou nela uma vontade de atraí-lo, de provocá-lo, até mesmo de ver quais as reações dele... Ah se os homens soubessem que muitas seduções rolam ladeira abaixo por conta da falta de perspicácia masculina...
Seduzir é uma arte – mas não é exclusividade feminina. A sedução envolve o seduzido numa nuvem, voa ao redor dele como uma borboleta, se aproximando e se afastando, às vezes pousando de forma leve, mas rapidamente levantando vôo...
Prolongue quando for seduzido ( a ). Não tenha pressa. Deixe-se levar pelos movimentos, gestos, olhares, sorrisos, esteja alerta a tudo isso, acompanhe o ritmo – precipitação não combina com sedução. Ninguém nasce expert na arte de seduzir – alguns aprendem mais rápido, outros mais lentamente – existem os que nunca aprendem – apenas se deixam seduzir... de novo, uma pena, porque quando dois artistas da sedução se encontram, vivem momentos excepcionais – vividos por poucos, porque ali os dois são artistas, os dois seduzem, um complementa o outro.
Aprecie a arte da sedução como aprecia uma escultura, uma bela pintura – exatamente como ela é – uma expressão de arte. Quando se entende como tal, sendo o sedutor ou seduzido, o êxtase fica muito mais completo, desfrutado na sua plenitude.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A ILHA MÁGICA

O navio se aproximou lentamente do porto. Do convés, conseguia ver aquela rocha gigantesca, emergindo do mar, no meio do nada, muito alta, com casas brancas, muito brancas, encarapitadas lá em cima.
O porto fervilhava de movimento – cafés maravilhosos – simples, rústicos, com toalhas de xadrez nas mesas de madeira tosca, cadeiras antigas, mas nisso tudo se encontrava a maravilha do lugar – naquela simplicidade, mas um ar de calor humano envolvendo tudo.
Ainda no navio tínhamos sido avisados que teríamos que ir montados em jumentos até o topo da ilha – alguns passageiros ficaram apavorados – eu ria deliciada – criada em fazenda, acostumada a montar a cavalo desde 2 anos de idade, montar num jumento, tirava de letra. Além do mais, a magia daquele lugar começava, exatamente pelo transporte a ser utilizado – nada daqueles ônibus refrigerados, com guias atropelando os ouvidos, em descrições frenéticas de monumentos e eventos.
Ali, naquele lugar, teríamos a mesma experiência dos habitantes – podia-se escolher: ou subir montado no jumento, ou ir a pé...  nem me passou pela cabeça a segunda alternativa – de jumento ia eu... e fui...
Uma das experiências mais marcantes da minha vida – no lombo daquele animal, puxado por um habitante – tentei pedir que me deixasse conduzir o animal sozinha, mas, a trancos e barrancos, me disse num inglês macarrônico,  que era proibido deixar turistas montarem sozinho... fazer o quê?
Mas foi muito melhor, com ele conduzindo, porque me deixei ficar ali, no balanço do passo do animal, subindo cada degrau – todo o caminho é em baixos degraus de pedra – despreocupada, podendo desfrutar daquela vista deslumbrante – o caminho acompanha todo o litoral – um mar azul como poucas vezes pude ver, um silêncio absoluto – éramos somente eu, o mar e o balanço do animal...
Chegamos ao topo, uns 5 minutos depois e lá de cima vi as casas brancas, uma grudada na outra, com entradas em arco, degraus e mais degraus, circundas por aquele gigantesco mar de um azul único e um silêncio que envolvia tudo e todos.
Fiquei parada na beirada, em um ponto, me deliciando, me encantando, absorvendo com olhos e todos os outros sentidos aqueles momentos – únicos, especiais, sabendo que jamais voltaria. Tudo ali ficou impregnado em mim – o aroma do mar, as cores da ilha e, pouco depois, caminhando, me deparei com novos bares, barulhentos acolhedores, com café forte e doces que pingavam mel...
Caminhei por aquelas vielas estreitas, janelas escancaradas na altura dos olhos de quem passava, recebendo sorrisos acolhedores de desconhecidos...
A  volta ao porto, confesso que tive medo de fazer montada no jumento – degraus de pedra me pareceram perigosos em descida – e voltei a pé – mais tempo pra me deliciar com todo aquele lugar, aquela paisagem, parando de vez em quando, não pra descansar, mas pra prolongar a permanência naquela ilha mágica.
Afinal, hora de voltar ao navio – do convés, vi a ilha se afastando, diminuindo, branca em um raro esplendor, mantendo sua paisagem, seus habitantes, seus aromas e cores. A ilha mágica – Santorini.
O HOMEM DESPERTADOR

Conversando com uma amiga, dia desses, falávamos sobre um email que eu mandei pra ela, do qual nós duas ríamos muito... comentários  mais maliciosos, impossível, porque, afinal tratava-se de um anexo com várias fotos de homens, TODOS  MA-RA-VI-LHO-SOS!!!!
E tentávamos encontrar uma descrição pra todo aquele deslumbre e, de repente, ela diz
“ É, um homem....sei lá, lindo...mais que isso...”
Eu respondi, rapidamente – ‘HOMEM DESPERTADOR’... ela deu uma gargalhada e me perguntou de onde tirei essa expressão??
Homem despertador é aquele que ‘desperta’ em uma mulher algo que nem ela sabe descrever... não  precisa ser bonito – aquela chamada beleza clássica, nem sempre é importante – mas uma aparência atraente; se for inteligente, minha amiga, você  nasceu virada pra lua...agora, se além disso tudo, ainda for FIEL, VOCÊ GANHOU EM TODAS AS LOTERIAS DO MUNDO SUCESSIVAMENTE !!
Em priscas eras ( essa é do tempo do Império...), somente os homens falavam de mulheres quando se reuniam. As conversas femininas eram restritas aos filhos e assuntos domésticos, vez por outra incluindo alguma coisa mais picante envolvendo alguma vizinha ou conhecida – mas tudo insinuado, por debaixo dos panos...
Hipocrisia maior, impossível, mas assim eram as regras da sociedade e coitada daquela que ousasse ultrapassar...
Agora as mulheres falam abertamente sobre seus desejos e comentam as fotografias de homens semi-nus – felizmente os chamados “calendários de borracharia’ agora têm concorrentes nos álbuns masculinos...
Olha o machismo – com fotografias femininas o rótulo de ‘calendário de borracharia’ permaneceu, mas, em se tratando de fotos masculinas, temos ‘álbuns’ ou, ainda mais sofisticados ‘ensaios’ ou ‘books’...
O fato é que os homens estão aí, mostrando o corpo, pra delírio e deliciamento feminino – afinal também somos filhas de Deus... e eis que me deparo com o que passei a chamar de ‘homem despertador’...
Porque ACORDA nas mulheres um algo mais – não é só sexo, nem fica no plano platônico _ por razões  óbvias...  é olhar e se deparar com a BELEZA, um conjunto harmonioso, cabelo, olhos, boca, corpo, mas, sobretudo, a expressão – é nisso, na expressão, que se identifica o ‘homem despertador’ – uma mistura de entrega com distanciamento, ‘não estou nem aí...’ o mistério, o intocável, mas o ser real...
Que venham mais ‘ábuns’, ‘ensaios’, ‘books’ repletos de homens despertadores – nossos hormônios, sonhos, olhos e devaneios agradecem, como também agradecem, nossos futuros papos ‘feminininos’.
 

terça-feira, 12 de abril de 2011

CONVERSA DE SOFÁ II

CONVERSA DE SOFÁ II

Olá, tenho acompanhado sua coluna e resolvi me arriscar e escrever, apesar de ser homem... sou médico, 39 anos, casado, dois filhos – casamento estável, carreira progredindo  até que, há 2 anos, fui atender uma paciente que ia ter bebê – sou pediatra. Nas visitas diárias ao hospital, ficava mais de 2 horas conversando com a nova mamãe – conversa fluía solta e comecei a me encantar por ela que não se dava conta do que acontecia comigo. Só que nesses 2 anos, a coisa foi crescendo e hoje o encantamento é recíproco. Aí está o dilema – ambos casados, nunca verbalizamos o que sentimos – apenas sabemos que está ali, vivo. Separar ou não separar? eis a questão... um abraço, L.
Bom, pra começar não entendi o ‘resolvi me arriscar a escrever, apesar de ser homem’... desculpe,  mas essa sua frase me pareceu um tanto ou quanto machista...novidade: homens choram e sofrem como as mulheres, têm problemas, sim, e já lá se foi o tempo em que existiam revistas ‘masculinas’ e ‘femininas’...alôoo, século 21...
Mas seu questionamento – a sensação que tenho, lendo o que escreveu é que vocês dois estão vivendo uma coisa que todo mundo procura e poucos encontram – estão vivendo um amor de conto de fadas, estilo Romeu e Julieta – vocês sequer verbalizaram o que sentem, apenas sabem que existe – imagino, então, que nunca devem ter se tocado... Esse tipo de amor é o sonho de muita gente – mais do que você possa imaginar, principalmente por causa do componente ‘proibido’ – ambos casados. E mais – ela é da forma que você a idealiza e você da forma que ela idealiza – como ambos idealizam o AMOR !
Pelo seu texto, identifico a intensidade desse sentimento...agora se separa ou não separa? impossível dizer... ela estaria disposta a se separar também? Pelo que entendi, se nunca verbalizaram o sentimento, uma possível futura separação jamais foi cogitada... Você tem certeza se ela estaria disposta a dar um passo tão grande? Talvez pra ela, o que está acontecendo seja a exata medida dos sonhos dela...se mudar, pode estragar... é uma hipótese... só vocês dois podem e devem decidir, mas, pra isso, É NECESSÁRIO FALAR SOBRE ESSE SENTIMENTO – tirá-lo do campo do sonho e trazê-lo pra realidade e ver como os dois lidam com esse sentimento no plano real.
Boa sorte.

domingo, 10 de abril de 2011

CONVERSA DE SOFÁ I

CONVERSA DE SOFÁ I
Oi, sou solteira, tenho 38 anos, sou profissional liberal, independente financeiramente. Há 12 anos tenho um namoro com um homem casado – nos encontramos quando ele tem tempo...enfim a velha história. Ele é apaixonado por mim ( e eu por ele, muito ), mas  ele sempre diz que não se separa por causa da filha – só que a filha já está com 16 anos e acho que bem grandinha pra entender a situação. Pode me dar sua opinião sobre essa situação? Um abraço, M.
Minha querida, você realmente precisa da minha opinião? A situação não está toda cristalina na sua frente? Quando me fala no seu relacionamento, você mesma já traz a solução, porque a sua frase ‘só que a filha já está com 16 anos e bem grandinha pra entender a situação’ mostra, de maneira escancarada, que você consegue enxergar, sim, a grande roubada que você se meteu e vem mantendo nesses 12 anos!! Acorda!! Até quando vai desperdiçar seu tempo com esse homem? Você tem idéia do percentual de homens que largam a família pra ficar com outra mulher? Não tem? Lamento informar, é MUITO BAIXO ESSE PERCENTUAL...
Pra ele, situação melhor, impossível... a segurança da família de um lado e o romance com você, do outro...Deixa eu contar um segredinho pra você – homem só abandona família por outra mulher se estiver casado há mais de 25 anos e se a outra mulher tiver 22/23 anos... não é o seu caso, baby... você  já começou acima da idade – 26 anos e seu namorado não pode ter mais de 25 anos de casado, a menos que seja um prodígio...
Quer saber? você nem é mais a ‘namorada’ dele – pelo tempo, já virou a segunda esposa... salta fora, rapidinho, porque não me espantaria se ele, não muito longe, viesse a te largar por outra mais jovem, que mantivesse aceso o romance...
Já perdeu tempo DEMAIS com esse homem...se olha no espelho, aprende a gostar mais de você e se dê a chance de ter alguém que realmente ame e respeite você, mas pra isso, primeiro, você tem que se amar e se respeitar.
Um abraço e boa sorte!.

CONVERSA DE SOFÁ

CONVERSA DE SOFÁ
SINOPSE

Uma hipotética coluna de uma suposta revista e nessa ‘coluna’ uma pessoa responde ‘cartas’ de leitores ( as ), sobre os mais variados assuntos.
Não são personagens reais, as histórias não são reais – todas vindas exclusivamente de minha imaginação – apenas uma forma nova de escrever – através de ‘perguntas e respostas’.
O título remete ao estar lado a lado em um sofá, numa conversa descontraída, permitindo-se abordagem de todos os temas – situações variadas, assuntos diversos.
Todos os ‘remetentes das perguntas’ serão identificados apenas pela inicial. Eventualmente, algum desses ‘remetentes’ poderá voltar com novos temas pra serem discutidos nesse sofá. Todos serão bem vindos.
 NÃO É UMA COLUNA CIENTÍFICA, TUDO É FICÇÃO, TANTO AS ‘PERGUNTAS’ COMO AS RESPOSTAS.

terça-feira, 5 de abril de 2011

O SONHO DE STELLA

O SONHO DE STELLA

“Sabe, eu tenho um sonho...”
“Sei...ficar rica...morar em Mônaco...virar celebridade...”
Stella deu uma parada e me olhou e nesse espaço eu me perguntava qual o sonho daquela mulher bonita, inteligente, culta, com Mestrado e Doutorado, bem sucedida... e arrisquei
“Já sei...viver um graaaannnndeeeee amor!!!!”
“Nada disso, muito mais simples... meu sonho é, um dia, passar por uma obra e um peão, lá em cima, pendurado num andaime, berrar bem alto pra mim GOSTOOOOOSAAAA.....deve ser a glória!!!!”

domingo, 3 de abril de 2011

SEDUÇÃO

Como fazia todas as noites,  após jantar, ia pra varanda da casa, que ficava no segundo andar, e ali ficava fumando, olhando a rua, quase vazia àquela hora... Via as árvores balançando, alguns carros passando e pensava na vida, nos planos feitos e muitos não realizados...Mal não estava – não podia se queixar – mas faltava algo, um tempero, um arrepio em sua vida ...
 E então ela passou, na calçada do outro lado – salto alto, saia justa na medida certa, uma blusa apenas levemente insinuante e cabelos longos, nos ombros, castanhos que refletiam a luz da rua... Havia um ar sedutor naquele andar, no corpo, no todo – não conseguiu identificar, apenas percebeu, sentiu. Nesse momento ela levantou a cabeça e olhou pra ele... Não parou de andar, apenas manteve os olhos nele...E sumiu na rua, dobrando a esquina.
Ele começou a se perguntar se ela morava por ali ou apenas passou casualmente. E na noite seguinte, lá estava ele, na varanda, fumando, mas dessa vez, esperando que ela passasse...E ela veio, salto alto, mesmo cabelo refletindo a luz, mesmo olhar pra ele...Passou e dobrou a esquina, perdida de vista.
A partir daquele momento, sentiu-se seduzido por aquele andar, aquele cabelo que refletia a luz da rua, aquele mexer de cabeça... nada disse a ele, nunca mais levantou a cabeça para olhar, mas a sedução entre eles era palpável, como um grande e forte laço invisível os unisse, ainda que por breves momentos, somente o tempo dela passar caminhando em frente à sua varanda.
Sedução não precisa de estandarte, holofotes, manchetes de jornal – pelo contrário, quanto mais íntima, reservada, mais intensa e avassaladora será, porque a maior sedução é a não falada, não vivida fisicamente – mas aquela que vive no sentimento, no imaginário, na fantasia, adquirindo as formas que cada um quiser, dando-lhe contornos próprios individuais. A verdadeira sedução é muda.


DUIÚ IXPÍQUI ÍNGLIXI?

DUIÚ IXPÍQUI ÍNGLIXI ?

Fico fascinada com a intimidade, a familiaridade que os brasileiros adquiriram com a língua inglesa. O que antes era restrito ao alguns pouquíssimos eleitos que podia estudar em cursos especializados em idiomas ou, aqueles, em número muito menor, que podiam viajar ao exterior ( alguns até estudar lá fora, sonho dos sonhos ! ), a partir de um momento começou a ser de acesso geral.
O que é excelente – ou melhor, seria, porque, enquanto as coisas estava restritas aos sanduíches dos fast food... ( que, aliás, falava-se sem saber o que é fast food...), uma ou outra faixa de “sale” que as mulheres não compreendiam o significado, mas, tem faixa vermelha, É LIQUIDAÇÃO.... as coisas ainda caminhavam de forma razoável...
Mas a informática, a globalização, tudo isso fez com que o outro lado do mundo se tornasse o quintal da nossa casa – podemos abrir uma “janela” e estamos vendo o que se passa por lá...ou seja, a bisbilhotice foi informatizada...
Nisso tudo o que mais me espanta é o fato de que, de repente, nessa era cibernética, todo mundo passou a sabe falar e escrever em inglês.... ou pelo menos pensa que... as palavras são utilizadas no vocabulário cotidiano, como se aprendidas desde o berço...agora, as pronúncias e as escritas...
Download tem múltiplas sonoridades: dónlód, daunnlôude, danlôd, dá um lôud, donlôd...o mesmo acontece com back up...vira e mexe ouvimos a frase espantada ‘mano tu num fez béquáp? num acreditu cara...pô nem pro ái podi tu passou? nem pen draivi? aí, malandro, marcô toca, danço...’
Site já vi escrita de várias maneiras, mas a campeã é mesmo o famoso sáiti... e tome de colocar palavras em inglês, falando ou escrevendo...
Muito em voga, a síndrome de burnout ( que é seríssima e tem que ser analisada com todo cuidado ) mas vira burnót, burnáuti... Atualmente palavras como pit sop, workholic, break integram nosso vocabulário com muita naturalidade.
A cidade que nunca dorme, tem várias entonações ( talvez pra acompanhar as notas da canção que a imortalizaram ) – Nú iôrq ( os mais “eruditos” ), neu iórqui, nu iórqui ( muito comum ),, ên uai ci ( pra quem gosta de inniciais ), níqui ( íntimos, mas com risco de ser confundido com nossa vizinha de frente, do outro lado da baía )
Antes, quando alguém estava com uma roupa exagerada ou falava com muita ênfase, era exagerado....agora é over, que pode ser ôuver, também, sem problema algum, dependendo de quão over seja....
Os computadores passam todos os comandos EM INGLÊS.... para pessoas de mais idade, já é uma loucura lidar com tantos mecanismos, e ainda em inglês!!!!!!! Outro dia, ouvi a conversa de duas garotas, faixa de 14/15 anos, em que uma contava pra outra sobre o ficante: “já deu, Ju, sabe...” e a Ju, ‘sabendo tudoooo’, sai-se com a seguinte pérola: “ah deleta, cara, deleta e parte pra outra, fila anda, amore...”
Delete...em informática, significa apagar erros ou mudanças de texto... agora, serve pra pulverizar pessoas indesejáveis...
Olhando as teclas do meu notebook ( NÃO EXISTE UMA PALAVRA EM PORTUGÊS PRA DEFINIR ESSA COISA PEQUENA QUE A GENTE CARREGA) vejo que TODAS as teclas estão com as funções EM INGLÊS...
Aí ficamos naquela situação: dá o control c, abre a outra página, dá o control v, mas se quiser, dá control alt del ( e seu 3 dedos devem ser muito flexíveis, porque as 3 teclas têm que ser apertadas simultaneamente... ) que apaga tudo e recomeça do zero... o que significa que vai reiniciar tudo, com TODAS AS ORDENS E COMANDOS....EM INGLÊS...
Sabe o que é power point? sabe o significado dessa expressão? não? mas sabe TRABALHAR COM POWER POINT? então está tudo ótimo... e o Office? tem familiaridade com ele? com excell? tem ipod? tem ipad? tem tablet?
Outro dia, uma amiga aflita veio me perguntar o que era ‘password’...ela queria entrar num ‘chato’ – expliquei que é ‘chat’ ( ela não sabia o que era...) e me disse que precisava de password...mas sequer sabia o que era, como podia fazer???
Pra sobreviver atualmente você deve responder à pergunta ( não importa a pronúncia ) duiú ixpíqui inglixi?