Olá,

Seja muito bem vindo (a) !

São textos simples, mas saídos da emoção...

Quero muito saber sua opinião - compartilhe comigo e com os outros.

Um grande e caloroso abraço

Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































domingo, 16 de dezembro de 2012

MILAGRE



A geração que nasceu após a 2ª guerra mundial é, verdadeiramente, um milagre !! 
Senão vejamos: somos filhos de pais e mães que nasceram no início do século XX e netos e bisnetos de pessoas que nasceram ainda na época do Império. E digo que somos um “milagre” porque nossos antepassados viveram o suficiente para sermos gerados. Até aí, tudo bem. Então, onde está o milagre?
No fato de tanta gente ter vivido e, principalmente, sobrevivido sem desodorantes que têm ação por até 48 horas ( isso significa exatamente o quê ? que pode se passar 2 dias sem tomar banho ou que, mesmo com o banho, aquele produto mágico permanece no corpo ? ), sem filtro solar, sem celulares ( aliás nem telefones fixos existiam até determinada época), sem celulares com câmera, filmadora, internet, mil aplicativos, televisões gigantescas que ocupam, hoje, o lugar que, antes, era ocupado por bons quadros...
Como sobreviveram sem iougurtes que fazem os intestinos funcionarem como um relógio, como se divertiram sem as cervejas que descem redondas, que são a nº 1, sem transmissões ao vivo de qualquer evento de maior porte...
Nosso antepassados devem ter sido verdadeiros gigantes pra sobreviverem sem cartões de créditos que resolvem TODOS seus problemas em qualquer parte do planeta, sem os créditos bancários mirabolantes que permitem que se compre qualquer coisa, sem as liquidações e “queimas de estoque” que, se não aproveitadas, fazem com que os apáticos se sintam uns idiotas....
Isso sem falar, claro, da enxurrada de carros de último modelo, todos vendidos por “apenas” $$$$... e as coisas que fazem um “homem de verdade” ?? terno, gravata, prato frances ( ? ), sapato.... carro na garagem..... E aí me pergunto: quem não tem essas coisas, não é homem ?
As mulheres são assoladas por cremes anti rugas, anti celulite, uma imensidão de tinturas de cabelo, mil e um aparelhos que prometem perder centímetros, quilos num piscar de olhos...
Relembro nossas mães e avós com seus cachos naturais, lavando rosto com sabonetes comuns, aceitando, tranquilamente, os quilos ganhos com a idade. Lembro de nossos pais e avós ( nunca soube qual o plural de avô, portanto me desculpem... ) usando terno, gravata, sem o carro zero na garagem e que eram considerado HOMENS porque cumpriam com seus compromissos, muitas vezes selados com um aperto de mão ou um fiapo de bigode.
Foram heróis porque sobreviveram a toda essa escassez e nos geraram pra que, então, pudéssemos criar toda essa parafernália da qual nos tornamos escravos ! 
E somos NÓS o "milagre" ???
Simone de Faria

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


LIDANDO COM A MORTE

 Ontem me perguntaram: “qual foi a primeira vez que você lidou com a morte?” – de imediato me lembrei da minha amiga, de 21 anos, como eu, que, num domingo estava no cinema e, na 4ª feira, estava morta. 
Foi a primeira vez que me deparei com a morte. Além da perda em si, a tragédia ainda crescia pela rapidez com que uma doença assintomática, tomou-a de assalto e levou-a, 5 meses antes de seu casamento. A dor foi acompanhada pela surpresa, pelo inesperado, como se agigantando na minha frente.
No entanto, passado o momento dessa primeira resposta, comecei a pensar que existem várias mortes em nossas vidas – físicas e emocionais. Somos obrigados a viver inúmeros lutos, em maior ou menor intensidade, mais longos ou breves. 
Mas o luto está presente em nossa vida, como nos mostrando a finitude. Através desses lutos, vamos nos fortalecendo, buscando escoras emocionais em nosso interior. Existem pessoas que se jogam nos lutos da morte física, mas ignoram ( ou pelo menos fingem ignorar ) as mortes emocionais. 
Repensando minha vida, vi que a primeira morte que enfrentei foi a perda dos meus “pais de infância”. Não que tenham morrido, fisicamente, mas as figuras que enxergava, até então, foram substituídas, pouco a pouco, por outras, já sob um olhar de início de adolescente.
Hoje consigo perceber que, naquele momento, tive, inconscientemente, a sensação do “vazio” -  inexplicável, então, mas tão visível para a mulher que me tornei. Não só lembro da “perda” em si, como dos sentimentos que me engolfaram, por longo tempo, sem que eu conseguisse dar a eles identidade, nome ou compreensão.
E mais uma vez, hoje, me deparo com a morte – dessa vez física – de uma das minhas gatas – Constança.
Caminhando pela rua, voltando para casa, pensava nesse lidar com a morte, após levá-la para ser cremada ( contra minha vontade, porque sempre coloquei meus ‘peludos’ em local onde eu pudesse voltar e visitá-los, mas hoje não foi possível ).
Sempre busquei um recolhimento, para viver meus lutos. Entendo que, como o nascimento, a morte é vivida solitariamente. Seja  a morte de um ser vivo, seja de um sentimento, de uma etapa de vida. Sempre procurei o recolhimento, o isolamento.
Não consigo transmitir com palavras ou gestos o que sinto. O vazio se instala e ali permanece por um longo tempo. 
Entendo que esses vazios fazem parte de nossa vida, são mesmo necessários, para que o novo tenha espaço ao chegar até nós. Mas não tenho pressa que eles desapareçam – pelo contrário, deixo-os existirem, amadurecerem em mim, enquanto eu, também, amadureço com eles, como se estivesse me preparando para o novo que vai chegar.
Sei que outros lutos virão e vou ter que lidar com a morte várias vezes, ainda. Nunca lidarei da mesma forma. Cada vez será única, porque eu, também, serei única, renovada, amadurecida, mais sensível. Lágrimas virão, em maior ou menor quantidade – nada a ver com a intensidade dos sentimentos, mas tão-somente reflexos do meu interior naquele momento.
Assim, vou vivendo minha vida e, ao mesmo tempo, lidando com a morte.

domingo, 2 de dezembro de 2012

A TI

A ti, dei o que de melhor havia em mim: meu amor, meu carinho, minha sinceridade.

Minhas emoções coloquei todas nas tuas mãos, como se, ao fazer isso, pudesse te fazer  ver como eram intensas e verdadeiras....

Tudo foi rechaçado. Pisaste nas emoções, nos sentimentos.

Quiseste semear pedras em meu coração - de nada adiantou, porque continuo semeando amor, carinho e emoções verdadeiras, intensas.

A ti deixo a saudade do que não foi, o suspiro que prendi, o olhar que se perdeu no horizonte.

Em mim, deixas a lágrima que escorreu, os sonhos derretidos.

Simone de Faria

domingo, 18 de novembro de 2012


VOCÊ

Em meus sonhos, acordada, imaginava se algum dia, em algum lugar, existiria alguém que pudesse, afinal, gostar de mim, me enxergar, me escutar, me tocar, sentindo cada pedaço da minha pele.
Imaginava se eu teria a possibilidade de segurar um rosto nas mãos, alisar bem de leve, olhando nos olhos meigos, contornar com a ponta de meus dedos esse rosto, respirar bem de leve em seu ouvido.
E a cada dia que chegava me perguntava...é hoje ? mas, quando as estrelas apareciam, eu via mais um dia escorregando nos braços amorosos da noite e nenhum braço amoroso ainda me segurava, nenhum rosto era contornado por mim.
Em um desses dias normais, entendi que nada acontece fora do tempo determinado. E essa indefinição, essas surpresas tornam nossa vida mais interessante.
Assim, apenas fiquei vivendo, um dia de cada vez, guardando meu sonho bem no fundo de minha alma, de meu coração. Minhas esperanças se mantinham comigo – não mais me conduzindo, mas apenas caminhando ao meu lado, no mesmo compasso – nem mais rápidas, nem mais lentas.
A vida ia morna, algumas vezes, outras engolfava meu ser, com suas pressas, urgências – novas pessoas, novos planos e eu... eu sendo a mesma...à espera.
Não sabia o que esperava – apenas esperava. Até o dia em que vi você, pela primeira vez. Nesse dia, eu soube a razão de minha espera – esperava por mim. Sempre tive uma necessidade gigantesca de querer me entregar, que querer me dar – mas uma entrega interior, buscando uma alma que eu quisesse.
Sempre precisei desse encontro de almas, de sentir, pulsando em mim, uma vontade de querer estar perto, segurando. Sentir no seu olhar o sol me aquecendo, refletido em seu rosto o brilho da lua.
Quero me agasalhar nos seus braços, encostar minha cabeça no seu peito, calada, sentindo, somente, sua respiração junto com a minha, fechar meus olhos e saber que está comigo, posso tocar seu rosto.
Você consegue matar a saudade que eu sempre tive, sem saber do eu queria e que hoje sei nunca tive. Sinto falta de você. Quero sua mão passando nos meus cabelos, quero sua boca mexendo em resmungos que não entendo. Quero sua impaciência passageira, seu olhar disperso, quero suas dúvidas, seu medos, seus desejos, suas esperanças.
Você que entrou em minha vida – sem pedir licença, tomou espaço dentro de mim, me preencheu, mesmo estando tão longe, mesmo sem me tocar, sem me beijar.
Sonho acordada – agora meu sonho tem cara e corpo, tem nome, sobrenome.Não sei dizer nome do que sinto. Apenas sinto. Uma inundação, uma plenitude. Penso em você e tenho vontade de chorar, não de tristeza, mas de felicidade porque com você, me sinto viva, me sinto inteira, me sinto capaz de sentir algo que não sabia ser capaz de sentir.
Você existe...sempre existiu... mas tão-somente em minha imaginação.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


TEMPOS DIFERENTES – SERES IGUAIS

 

Quando era adolescente esperava, ansiosa o carteiro chegar. A esperança de receber uma carta de um namorado sempre me acompanhava, diariamente. Alguns dias se passavam, e a carta não chegava. Mas, um dia, lá estava o envelope, com aquela letra tão conhecida, meu nome como destinatária.

Sofregamente, corria pra um lugar tranquilo, isolado, onde pudesse saborear a carta. Abria o envelope, mãos rápidas, coração acelerado, expectativa das palavras que leria. E me deparava com uma única folha, com umas 10 frases, talvez, que muito pouco diziam, mas nessas poucas palavras encontravam-se as “mágicas”  - saudade, te amo, beijo...

Essas 3 palavras isoladas já compensavam a pobreza do texto, porque mesmo que viessem sozinhas já teriam cumprido seu papel de aquecer meu coração. Quando se é jovem, nosso nível de exigência literária fica restrito a umas poucas palavras que representem sentimentos compartilhados ou sonhados. Nada muito rebuscado – somente as 3 palavras bastavam.

A espera pelas cartas se arrastava por dias, o carteiro se tornava o centro de atenção, como se, a simples presença dele, pudesse iluminar dias cinzentos da distância do amado. A angústia dessa separação tornava, talvez, a chegada da carta mais preciosa, mais valiosa.

Havia, nessa época, um lirismo que acompanhava cada momento de espera, de encontro, de reencontro. Os lapsos temporais preenchidos por episódicas cartas ou telefonemas transformavam o “estar juntos” em algo quase mágico – porque eram tempos em que a saudade ardia no peito, havia tempo para vivenciar determinados sentimentos, emoções – boas ou ruins.

Hoje, tempos diferentes. Imediatismo tomando conta de tudo. Mensagens instantâneas jorram em celulares e redes sociais. As palavras “mágicas” foram substituídas por letras ou símbolos – não existe mais o lapso temporal que aguça a expectativa dos reencontros. Tudo está à nossa frente, disponível, bastando apertar algumas teclas, de computador ou celular.

A cibernética acabou com o “tempo” de sentir a saudade. Já estão distante as longas esperas pelo carteiro, a ansiedade em abrir um envelope, o peito apertado pela separação do amado. As janelas, onde olhávamos a rua, seguidamente, esperando a hora do reencontro, - como se olhar frequente tivesse o dom de apressar a chegada – essas janelas acabaram, transformaram-se em “windows”...

Os tempos são diferentes, mas os sentimentos humanos permanecem. Entretanto a voracidade de toda essa modernidade aniquilou o lirismo, o romantismo, a espera, a saudade. Toda essa rapidez em apertar teclas e poder ver o amado através de uma tela de computador, ao invés de facilitar a aproximação, o que fez, de verdade, foi tornar as pessoas satisfeitas com a presença distante.

Não mais valorizam-se o toque de pele, o olhar apaixonado, o respirar no pescoço, as mãos se encontrando, dedos entrelaçados, remexer no cabelo do outro... Tudo episódico, imediato, mas tão frio, tão impessoal, tão despido de sentimentos e emoções fisicamente possívels de serem demonstradas.

Tenho saudades do tempo em que se podia e se sabia sentir saudade.

 

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012


LEMBRANÇAS

Da infância guardo várias lembranças, mas as que mais ainda estão presentes são os aromas. A percepção olfativa parece impregnada em meu cérebro, em meus sentimentos e todas as vezes em que algo aparece na minha frente que tenha, mesmo que remotamente, um aroma parecido com aqueles, tudo me volta, vivo, como se pudesse quase vivenciar as experiências.
O cheiro da “Maria Fumaça”, um trem que fazia o percurso Rio-Teresópolis... a fumaça que saía da chaminé daquele antigo trem que se arrastava montanha acima, apitando ( até hoje não sei a razão do apito, porque a paisagem, embora verde, era deserta ), esse cheiro entrava nos meus sentidos e ali ficava – na verdade se instalou, porque o guardo comigo.
A viagem, por si só, já era uma grande farra, pra mim, menina de uns 4 ou 5 anos, porque  ia pendurada na janela, com o vento batendo no rosto e trazendo o cheiro da lenha tornavam tudo mágico... e depois, havia a certeza de encontrar Miguel – o velho sinaleiro da estação de Teresópolis – pra quem eu acenava como louca, agitando meus braços e gritando seu nome !! O sorriso que ele abria com toda aquela minha agitação era meu presente de chegada !!
Aromas de lenha queimando me acompanharam ao longo da infância. Na fazenda de minha tia, onde íamos passar férias – para loucura de nossas mães, porque 22 crianças juntas, em um único lugar, leva qualquer um, no mínimo, ao divã de analista...- ali, naquela imensidão de campo, os aromas se misturavam – o cheiro do fogão a lenha, funcionando desde cedo, fervendo o leite, o café sendo coado – no velho coador de pano – o cheiro do curral, com seus cavalos e gado leiteiro, o aroma das selas dos cavalos que cada um segurava, aquele cheiro de couro impregnando nosso olfato, misturado ao suor dos cavalos...
O cheiro da floresta, de verdade, por onde cavalgávamos, desviando de galhos e folhas – nem sempre conseguindo...- o aroma das flores que insistiam em surgir e crescer sem que uma semente houvesse sido plantada por mãos humanas...
Minha primeira bicicleta – vermelha, presente de Natal- aos 4 anos – o cheiro da borracha dos pneus novos,,, da bicicleta, em si, guardo poucas lembranças, a não ser as pedaladas dentro de casa, no quintal, ou nas calçadas das ruas, onde se brincava livremente com as crianças vizinhas. Mas o cheiro da borracha das rodas até hoje me acompanha.
Em outras ocasiões íamos passar férias na Ilha do Governador e ali, numa farmácia muito simples – mas que a meus olhos se transformava em mundo encantado com tantos potes, cremes e óleos – minha mãe comprava óleo Dagele ( não sei se com dois L ) que, além de ter uma cor alaranjada, quase terrosa ( fosse hoje e seria suspeitíssima! ) tinha um aroma todo peculiar !!
Era um encantamento o aroma desse óleo cuja função seria de “proteger” minha pele, mas que pra mim,  trazia, com seu cheiro, maravilhas ao meu olfato. Repetidas vezes me besuntava com aquele líquido viscoso, embora desnecessário, tão somente para acentuar aquele aroma que, mais uma vez, marcou minha infância.
Minhas lembranças de infância, embora triviais, são marcantes em minha vida. Todas muito mais sensoriais que as vividas de verdade, porque penetraram nos meus sentidos e ali se alojaram, sem pedir licença, sem que eu percebesse e se aninharam num recanto remoto da memória, só se mostrando quando, agora adulta, sinto algum aroma parecido.
Mas nunca será parecido com o que sentia antes, porque tudo, absolutamente tudo, era acompanhado de um olhar curioso, da criança que se maravilha com as descobertas que está fazendo do mundo. A percepção do novo é única e, embora situações, aromas, experiências possam se repetir, nada será acompanhado do olhar maravilhado da primeira vez.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

MEU PAI

HOJE QUERO FALAR SOBRE MEU PAI.
AO LONGO DE 38 ANOS TIVE O PRIVILÉGIO DE CONVIVER COM UMA DAS PESSOAS MAIS INCRÍVEIS E EXTRAORDINÁRIAS QUE CONHECI.
21º FILHO DE UMA FAMÍLIA DE 22, DIZIA, RINDO, QUE SEU PRIMEIRO SAPATO NOVO TEVE APÓS OS 18 ANOS DE IDADE. AMAVA LIVROS, MÚSICA CLÁSSICA, MUSEUS, HISTÓRIA, POLÍTICA. DELE HERDEI A PAIXÃO POR TUDO ISSO.
UMA DAS PESSOAS MAIS ÍNTEGRAS QUE CONHECI. HONESTO,...
LEAL, RETIDÃO DE CARÁTER - TUDO ISSO ESTAVA NELE QUE ME PASSOU DE HERANÇA JUNTO COM OS LIVROS, MÚSICA, ETC.
COSTUMO DIZER QUE MEU PAI FOI UMA PESSOA EXTREMAMENTE RELIGIOSA, NO ENTANTO, NUNCA O VI INDO À QUALQUER IGREJA OU TEMPLO, A NÃO SER EM CERIMONIAS ESPECIAIS, COMO CASAMENTOS, ETC.
E O DIGO RELIGIOSO PORQUE, NA INTEGRIDADE DE SUA VIDA, PRATICOU O QUE TODAS AS RELIGIÕES PREGAM: VIVER COM VERDADE, SER HUMANO COM OS OUTROS.
MEU PAI ME ENSINOU QUE, PARA CONVERSAR COM DEUS, POSSO FAZÊ-LO NO SILÊNCIO DE MINHA CASA, ATRAVÉS DE MINHA CONDUTA DIÁRIA DE VIDA.
AGRADEÇO A DEUS POR TER COLOCADO ESSE SER QUE, COM SUA POSTURA, ME ENSINOU QUE, PARA TER UMA VIDA RELIGIOSA, BASTA PRATICÁ-LA NO DIA-A-DIA.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

DE VERDADE.

"PESSOAS NÃO SÃO COISAS NEM BRINQUEDOS.


 SENTIMENTOS HUMANOS SÃO PRECIOSOS DEMAIS PARA SEREM PISADOS.

 NÃO PROCURE DESPERTAR EM ALGUÉM SENTIMENTOS, SE VOCÊ NÃO É CAPAZ DE CORRESPONDER NA MESMA MEDIDA. ISSO SE APLICA A TUDO - AMOR, AMIZADE, CONFIANÇA...

 EMOÇÕES HUMANAS NÃO SÃO MASSA DE MODELAR PARA SEREM "MANIPULADAS" AO SEU BEL PRAZER.

 SE GOSTAR - QUE SEJA DE VERDADE
SE AMAR - QUE SEJA DE VERDADE.
SE SENTIR SAUDADE - QUE SEJA DE VERDADE.
FALE SOMENTE O QUE SENTE E PENSA DE VERDADE.

MAS NÃO APENAS FALE - DEMONSTRE.
LEMBRA- SERES HUMANOS, DESDE QUE O MUNDO EXISTE, SEMPRE PRECISARAM DE CONTATOS HUMANOS PARA SOBREVIVEREM.

CONTATOS DE VERDADE.

VERSOS, POEMAS, TROVAS, POR MAIS LINDOS QUE SEJAM, NÃO SUBSTITUEM UM OLHAR, UM TOQUE DE MÃO, UM ABRAÇO - DE VERDADE.

SEJA DE VERDADE CONVIVENDO, DE VERDADE, COM PESSOAS DE VERDADE."
Simone de Faria
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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MENINA EDUCADA

Um dia, quando era pequena, ouvi uma frase: "meninas educadas não fazem isso..."

E eu queria, muito, ser uma "menina educada". O que era, não sabia, mas imaginava, na minha ingenuidade infantil, que fosse aquela que recebe sorrisos de aceitação, que recebe elogios, que é querida e bem quista.

Assim, por querer ser uma "menina educada" não cantei ou dancei na chuva, não corri até ficar encharcada de suor, não pulei o muro pra encontrar namorado, não me atirei em aventuras, não fiquei na praia torrando no sol, não dancei até de manhã em boates ou nas ruas, não toquei campainhas e saí correndo, não passei trotes por telefone, não subi em árvores pra pegar mangas ou goiabas, não matei aula pra ir ao cinema escondida...

Eu queria ser uma "menina educada".

O tempo passou e percebi que ninguém, jamais, deu a mínima para todas as transgressões que deixei de fazer - fazendo-as ou não, a vida continuou no seu ritmo, morno, dolente.

Deixei de viver a vida, de aproveitá-la em seus momentos mágicos. Deixei de viver amores impossíveis, deixei de me entregar a coisas deliciosas, deixei de chorar ou gargalhar em momentos extremos.

"Meninas educadas" não demonstram emoções, não choram, não riem - apenas sorriem - não se entregam a paixões voluptuosas, são amorfas, insossas, inodoras.

Apenas passam pela vida, sem na verdade viver.

O mundo não mudou porque tentei ser uma "menina educada". O mundo não perderia nada se não o fosse.

Quem perdeu, na verdade, fui eu - que me neguei o direito de viver a vida em sua plenitude, por querer ser uma "menina educada" ao invés de querer ser uma PESSOA.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

SE EU PUDESSE RECOMEÇAR .....

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SENTIMENTOS

na sombra da árvore
dentro de um peito machucado
um coração sofrido chora
lamentos, desesperanças.
o vento balança os ramos
indiferente àquela dor
que a seu olhar
indiferente fica.
gravetos arrastados,
suaves, pousam no colo
da mulher de olhos fechados
na dor, imersa.
sofrimento gritando em seu peito.
arrancadas as últimas
gotas de vida.
os ramos rendados
mexem suas folhas
mantos suaves sobre a fronte
sofrida, contorcida,
soluçante, pulsante.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

EU QUERIA SER POETA II

EU QUERIA SER POETA II
Eu queria ser poeta
versejando nessa vida
falando de noite sofrida
de amor e de dor
mas também de cor
rimar flor e sabor
pra não falar do seu odor
quero rima diferente
ser um pouco impertinente
todo bicho, toda gente
sabe que a vida
pra ser bem vivida
nem sempre rima é possível
porque amor rima com dor
despeito com respeito
felicidade com deslealdade
nem sempre é rima bonita
que completa um ser, o anima
mais fácil falar de beleza
do que de incerteza
assim fico quieta no  recanto
pra não perder meu canto
derrubando o encanto
de viver um grande amor
que não fale só de dor...


quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

LE SOUFFLE DE L'AMOUR

pas à la recherche du temps perdu,
pas à la recherche de ma jeunesse...
mais à la recherche de moi même, de mon âme
des mes rêves, pourtant perdus
je sais que sont encore là,
dans mon coeur
et peuvent être réveillés
par le souffle de l'amour.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

QUEM SOU EU ?

Mulher alegre, risonha? ou triste ? com que armas ( ? ) me protejo ? como lido com as coisas cotidianas ?
Questionamentos me assolam todo tempo... emoções trovejando na alma, mostrando que tempestades existem e, a qualquer momento, podem desabar sobre mim...
E se não tenho abrigo? se não encontro alguma porta aberta? onde me colocar para não ser assolada por essas tempestades?
Desde sempre me mantenho meio escondida, olhando tudo e todos pelos vãos das portas, como se não tivesse sido convidada para a “festa”, para a vida... como eterna intrusa deslocada, um tanto ou quanto “gauche”, querendo entrar mas sem a certeza de ser bem vinda...
Como  a criança amedrontada que vive dentro de mim, insistindo em aparecer, a todo instante, gritando seus medos, inseguranças, jogando para o lado – quase extinguindo – a mulher adulta que se faz de forte ( sem ser, na verdade...)
Criança machucada, doída, dolorida, de alma cinza que quando menos espero aparece inteira, atirando na cara da mulher que ela ( a criança) é quem está certa... não existe merecimento, as alegrias não são pra você...ela insiste em dizer...
E, mais uma vez, atira na cara da mulher forte e alegre as necessidades angustiadas dessa criança. Aponta o dedo e diz – “não disse? você não me ouve, não presta atenção no que eu digo! eu sei que você não foi convidada pra essa festa... mas, teimosa, você insiste em ir, em participar... agora fica aí, olhando pelas frestas da porta, como eu sempre estive...”
De nada adianta a mulher querer ficar no meio da festa, no meio da vida, porque de repente ela percebe que ali não é seu lugar, que, na verdade, ali nunca foi seu lugar – não existe espaço pra ela, nessa festa que é a vida...
Os sorrisos que lhe dão não são de verdade, as conversas que ouve não trazem verdade, as emoções que ela sente ficam ali, solitárias... Sua única companhia é a criança de alma cinza, que chega e conversa com ela, tentando fazer com que ela entenda que precisa partir, que ali não é seu lugar...
A criança conhece e entende seu espanto diante da vida, das pessoas, conhece suas emoções – ambas partilham os mesmos medos, sonhos, ansiedades, vontade de pertencer a algo, a alguém, de integrar-se, sendo acolhida...
Mas a mulher, teimosa, continua tentando sorrir, acreditar... fica se questionando sobre tudo, todos e não encontra respostas, porque a sensação de estar deslocada a acompanha e reconhecer tudo isso rasga as entranhas, dilacera seu interior...
Ser invisível na multidão corrói a alma, esgota energias, rasga sonhos e fantasias... construir algo ? pra quê? e a criança chega e se apodera do interior, com suas névoas, suas sombras, trazendo neblina quando a mulher busca dias ensolarados e noites estreladas...
Quem sou eu, afinal?