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Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































quarta-feira, 25 de maio de 2011

CABELEIREIRO AOS SÁBADOS

Poucas coisas são mais apocalípticas que um salão de cabeleireiro feminino aos sábados. Uma insuportável mistura de sons e odores      atordoantes, infernizam a vida, o humor e qualquer perspectiva de um bom programa à noite. Mas ainda assim, os salões vivem superlotados, com uma energia de expectativa suspensa no ar.
Raras as mulheres que estão ali somente porque trabalham a semana toda e só dispõem desse dia pra fazer unha ou cuidar do cabelo. Grande parte da freqüência é de mulheres se produzindo pra alguma festa ou evento.
E as conversas rolam soltas, algumas aos gritos pra poderem superar o som alucinado dos secadores que funcionam a todo vapor – não é metaforicamente falando...
Bandejas com café, biscoito, copos de água rodam o salão, servidas por atendentes entediadas e atordoadas...cabeleireiros disputam com manicures algum espaço melhor junto da cliente; essa, por sua vez, se retorce na cadeira, interessadíssima na conversa com a cliente da cadeira ao lado, não querendo perder qualquer detalhe da conversa picante que está sendo contada...
Porque se há um lugar em que as mulheres se soltam é em salão de cabelereiro – já começa pelo profissional, que além das madeixas, deve entender, também, de psicologia e do universo feminino. Naquelas cadeiras são ditas coisas que às vezes nem confessadas aos espelhos domésticos...
Não sei o que acontece – parece que as mulheres, ao cruzarem  a porta do salão, se despem de suas defesas e, da mesma maneira que entregam seu cabelo, também entregam seus dramas, alegrias, frustrações àquele profissional... Fazendo uma ligação meio “psicanalítica de botequim” seria como se uma mulher, ao entregar seu cabelo àquele profissional confiasse tanto nele a ponto de lhe contar seus segredos os mais íntimos.
A relação da mulher com seu cabelo é digno de nota – eu diria até que, se fosse feito um estudo mulher / seu cabelo ( se é que já não foi feito – não sou tão letrada assim ), coisas bem interessantes poderia surgir.
Das minhas parcas e pobres observações já pude concluir algumas coisas interessantes, segundo minha ótica – nunca pretendi ser dona da verdade – apenas relato o que presencio e minhas conclusões, que são somente minhas, sem qualquer base especial. Algumas mulheres têm uma relação simbiótica com seus cabelos – já presenciei cenas incríveis – mulheres que ficam de alhos arregalados, quase em transe, quando o cabeleireiro pega a tesoura e elas pedem pra ‘cortar UM DEDO SÓ’... quase com a respiração suspensa.. . outras  que chegam e pedem pra cortar ‘MAS NÃO MUITO’... o que é muito? já vi mulheres quase chorando ( algumas choraram mesmo ) porque resolveram cortar o cabelo – razão? desconheço, tanto do choro como de cortar...
Uma das mais engraçadas foi uma moça, jovem na casa dos 20 anos, que chegou e pediu pra cortar ‘CURTO...MAS NÃO QUERO NEM OLHAR...’ e tampou o rosto com as mão e ficou assim o tempo todo... era visível o nervosismo dela, como se estivessem arrancando um pedaço de seu corpo... Quando acabou o corte, tirou as mãos e se olhou maravilhada no espelho, abrindo um grande sorriso...
Nesse momento, ultrapassado o pânico, aproveitei e disse pra ela ‘não fica assim não.. .cabelo cresce de novo... em 6 meses você estaria como entrou aqui’ – ela me olhou como se eu estivesse dizendo algo de super novo...
Salão aos sábados só em caso de extrema necessidade, mas extrema mesmo – acho que nem casamento na família justifica minha ida até lá nesse dia. E foi num desses raríssimos dias que vi uma noiva, a mãe, a irmã e uma das madrinhas... foi uma das coisas mais bizarras que já presenciei...
A noiva, cujo cabelo longo era tão liso de causar inveja às várias chapinhas, queria um cabelo com cachos, meio soltos... a mãe dela queria, além do cabelo, maquiagem e a irmã queria ‘algo diferente’... casamento marcado às 8 da noite, no centro da cidade...
A madrinha, menos exigente, foi a primeira a ser arrumada e despachada, seguida da mãe, penteada, maquiada e despachada porque estava histérica com as duas filhas que nunca estavam satisfeitas – isso é, a irmã, porque a noiva teve seus ‘cachos’ refeitos umas 5 vezes -  nunca ficavam no lugar por mais de 10 minutos...
A profissional já estava suando, literalmente, quando outra veio ajudar e começou a atender à noiva, deixando a irmã com sua colega suada. Da cadeira onde eu estava, olhava o relógio, tempo passando e nada de concreto acontecendo... Nessas alturas há muito tempo eu já estava liberada, mas queria ver o final apoteótico e perguntei ‘ a que horas é o casamento?’ a noiva respondeu ‘às 8’, ao que a profissional que veio atendê-la emendou meio de lado pra mim ‘ ...da manhã...’ eu dei uma gargalhada estrondosa...
Resumo: a noiva e seus cachos ficaram prontos antes da irmã enjoada – a noiva saiu voada pela porta, às 8:15,  gritando pra irmã ‘ vou arranjar outra madrinha pro seu lugar’...  afinal,  às 9 da noite a irmã se deu por satisfeita  (?) e os profissionais que ainda estavam por ali, despencaram nas cadeiras e começaram a rir, misto de nervoso, cansaço e raiva...
Pra quem gosta de tumulto, barulho ensurdecedor e confusão, nenhum lugar é melhor que um salão de cabeleireiro em um sábado.



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