AS FORMAS DE AMAR
Cantigas de ninar, acalantos, afagos, carinhos... esse nosso primeiro contato com o mundo...vamos percebemos através de sons e tatos e aqueles toques suaves e as canções sussurradas em nossos ouvidos nos trazem segurança e conforto.
Crescemos e vamos sendo apresentados às várias formas de amar: pais, irmãos, filhos, amores, amantes, família toda, colegas de rua ou de escola, amigos... Nesses contatos estabelecemos laços que vão durar mais ou menos tempo. Alguns nos trarão alegrias imensas, intensas... outros, grandes decepções, tristezas...assim é a vida – variadas pessoas, variadas formas de amar.
Nós mesmos mudamos, e muito, ao longo a vida - um dia perdidamente apaixonados, algum tempo depois, sequer reconhecemos a “paixão”... ‘amigas para sempre’ que não sobrevivem a um verão...
E assim vamos nós, ao longo da vida, querendo fazer de cada encontro, de cada pessoa, um “para sempre”, nos esquecendo que nem nós mesmos somos ‘para sempre’... nossos interesses mudam, por opção ou imposição, pessoas novas chegam, outras partem, mas nós permanecemos, acolhendo e nos despedindo, algumas vezes nos afastando...
São tantas pessoas, tantas formas de gostar, de amar... umas profundas, outras superficiais, efêmeras, algumas irradiando alegria, calor, felicidade, outras que, passado esse primeiro encantamento, se transformam em dor, desilusão, decepção...no entanto, são formas de amar, de gostar...porque, ainda que por um brevíssimo espaço de tempo, o gostar ali se instalou, meio sem pedir licença, abusado que é, refastelou-se em nosso colo, bem acomodado, mesmo sabendo que iria ficar por pouco, muito pouco tempo...
Existe o amor eterno? o amor incondicional? confesso que, entre humanos, jamais o conheci... já escrevi antes que o conheci, sim, com minha gata, Tutti Tutti, durante dezesseis maravilhosos anos... mas entre humanos???
Somos mutáveis, somos mutantes, somos humanos, passíveis de humores, defeitos, alegrias, melancolia– tudo isso nos leva e nos traz a diferentes formas de amar –intensamente ou apenas de passagem, mas o afago, o aconchego, o acalanto sempre se faz presente, em qualquer relação, com nomes diferentes, necessidades diversas, intensidades variadas e durações múltiplas, mas sempre, é um gostar, é um amar...diferente, mas amor é e sempre será amor, não importa quanto dure, nem quão intenso seja, ele apenas é....
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