Olá,

Seja muito bem vindo (a) !

São textos simples, mas saídos da emoção...

Quero muito saber sua opinião - compartilhe comigo e com os outros.

Um grande e caloroso abraço

Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































domingo, 18 de novembro de 2012


VOCÊ

Em meus sonhos, acordada, imaginava se algum dia, em algum lugar, existiria alguém que pudesse, afinal, gostar de mim, me enxergar, me escutar, me tocar, sentindo cada pedaço da minha pele.
Imaginava se eu teria a possibilidade de segurar um rosto nas mãos, alisar bem de leve, olhando nos olhos meigos, contornar com a ponta de meus dedos esse rosto, respirar bem de leve em seu ouvido.
E a cada dia que chegava me perguntava...é hoje ? mas, quando as estrelas apareciam, eu via mais um dia escorregando nos braços amorosos da noite e nenhum braço amoroso ainda me segurava, nenhum rosto era contornado por mim.
Em um desses dias normais, entendi que nada acontece fora do tempo determinado. E essa indefinição, essas surpresas tornam nossa vida mais interessante.
Assim, apenas fiquei vivendo, um dia de cada vez, guardando meu sonho bem no fundo de minha alma, de meu coração. Minhas esperanças se mantinham comigo – não mais me conduzindo, mas apenas caminhando ao meu lado, no mesmo compasso – nem mais rápidas, nem mais lentas.
A vida ia morna, algumas vezes, outras engolfava meu ser, com suas pressas, urgências – novas pessoas, novos planos e eu... eu sendo a mesma...à espera.
Não sabia o que esperava – apenas esperava. Até o dia em que vi você, pela primeira vez. Nesse dia, eu soube a razão de minha espera – esperava por mim. Sempre tive uma necessidade gigantesca de querer me entregar, que querer me dar – mas uma entrega interior, buscando uma alma que eu quisesse.
Sempre precisei desse encontro de almas, de sentir, pulsando em mim, uma vontade de querer estar perto, segurando. Sentir no seu olhar o sol me aquecendo, refletido em seu rosto o brilho da lua.
Quero me agasalhar nos seus braços, encostar minha cabeça no seu peito, calada, sentindo, somente, sua respiração junto com a minha, fechar meus olhos e saber que está comigo, posso tocar seu rosto.
Você consegue matar a saudade que eu sempre tive, sem saber do eu queria e que hoje sei nunca tive. Sinto falta de você. Quero sua mão passando nos meus cabelos, quero sua boca mexendo em resmungos que não entendo. Quero sua impaciência passageira, seu olhar disperso, quero suas dúvidas, seu medos, seus desejos, suas esperanças.
Você que entrou em minha vida – sem pedir licença, tomou espaço dentro de mim, me preencheu, mesmo estando tão longe, mesmo sem me tocar, sem me beijar.
Sonho acordada – agora meu sonho tem cara e corpo, tem nome, sobrenome.Não sei dizer nome do que sinto. Apenas sinto. Uma inundação, uma plenitude. Penso em você e tenho vontade de chorar, não de tristeza, mas de felicidade porque com você, me sinto viva, me sinto inteira, me sinto capaz de sentir algo que não sabia ser capaz de sentir.
Você existe...sempre existiu... mas tão-somente em minha imaginação.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012


TEMPOS DIFERENTES – SERES IGUAIS

 

Quando era adolescente esperava, ansiosa o carteiro chegar. A esperança de receber uma carta de um namorado sempre me acompanhava, diariamente. Alguns dias se passavam, e a carta não chegava. Mas, um dia, lá estava o envelope, com aquela letra tão conhecida, meu nome como destinatária.

Sofregamente, corria pra um lugar tranquilo, isolado, onde pudesse saborear a carta. Abria o envelope, mãos rápidas, coração acelerado, expectativa das palavras que leria. E me deparava com uma única folha, com umas 10 frases, talvez, que muito pouco diziam, mas nessas poucas palavras encontravam-se as “mágicas”  - saudade, te amo, beijo...

Essas 3 palavras isoladas já compensavam a pobreza do texto, porque mesmo que viessem sozinhas já teriam cumprido seu papel de aquecer meu coração. Quando se é jovem, nosso nível de exigência literária fica restrito a umas poucas palavras que representem sentimentos compartilhados ou sonhados. Nada muito rebuscado – somente as 3 palavras bastavam.

A espera pelas cartas se arrastava por dias, o carteiro se tornava o centro de atenção, como se, a simples presença dele, pudesse iluminar dias cinzentos da distância do amado. A angústia dessa separação tornava, talvez, a chegada da carta mais preciosa, mais valiosa.

Havia, nessa época, um lirismo que acompanhava cada momento de espera, de encontro, de reencontro. Os lapsos temporais preenchidos por episódicas cartas ou telefonemas transformavam o “estar juntos” em algo quase mágico – porque eram tempos em que a saudade ardia no peito, havia tempo para vivenciar determinados sentimentos, emoções – boas ou ruins.

Hoje, tempos diferentes. Imediatismo tomando conta de tudo. Mensagens instantâneas jorram em celulares e redes sociais. As palavras “mágicas” foram substituídas por letras ou símbolos – não existe mais o lapso temporal que aguça a expectativa dos reencontros. Tudo está à nossa frente, disponível, bastando apertar algumas teclas, de computador ou celular.

A cibernética acabou com o “tempo” de sentir a saudade. Já estão distante as longas esperas pelo carteiro, a ansiedade em abrir um envelope, o peito apertado pela separação do amado. As janelas, onde olhávamos a rua, seguidamente, esperando a hora do reencontro, - como se olhar frequente tivesse o dom de apressar a chegada – essas janelas acabaram, transformaram-se em “windows”...

Os tempos são diferentes, mas os sentimentos humanos permanecem. Entretanto a voracidade de toda essa modernidade aniquilou o lirismo, o romantismo, a espera, a saudade. Toda essa rapidez em apertar teclas e poder ver o amado através de uma tela de computador, ao invés de facilitar a aproximação, o que fez, de verdade, foi tornar as pessoas satisfeitas com a presença distante.

Não mais valorizam-se o toque de pele, o olhar apaixonado, o respirar no pescoço, as mãos se encontrando, dedos entrelaçados, remexer no cabelo do outro... Tudo episódico, imediato, mas tão frio, tão impessoal, tão despido de sentimentos e emoções fisicamente possívels de serem demonstradas.

Tenho saudades do tempo em que se podia e se sabia sentir saudade.

 

 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012


LEMBRANÇAS

Da infância guardo várias lembranças, mas as que mais ainda estão presentes são os aromas. A percepção olfativa parece impregnada em meu cérebro, em meus sentimentos e todas as vezes em que algo aparece na minha frente que tenha, mesmo que remotamente, um aroma parecido com aqueles, tudo me volta, vivo, como se pudesse quase vivenciar as experiências.
O cheiro da “Maria Fumaça”, um trem que fazia o percurso Rio-Teresópolis... a fumaça que saía da chaminé daquele antigo trem que se arrastava montanha acima, apitando ( até hoje não sei a razão do apito, porque a paisagem, embora verde, era deserta ), esse cheiro entrava nos meus sentidos e ali ficava – na verdade se instalou, porque o guardo comigo.
A viagem, por si só, já era uma grande farra, pra mim, menina de uns 4 ou 5 anos, porque  ia pendurada na janela, com o vento batendo no rosto e trazendo o cheiro da lenha tornavam tudo mágico... e depois, havia a certeza de encontrar Miguel – o velho sinaleiro da estação de Teresópolis – pra quem eu acenava como louca, agitando meus braços e gritando seu nome !! O sorriso que ele abria com toda aquela minha agitação era meu presente de chegada !!
Aromas de lenha queimando me acompanharam ao longo da infância. Na fazenda de minha tia, onde íamos passar férias – para loucura de nossas mães, porque 22 crianças juntas, em um único lugar, leva qualquer um, no mínimo, ao divã de analista...- ali, naquela imensidão de campo, os aromas se misturavam – o cheiro do fogão a lenha, funcionando desde cedo, fervendo o leite, o café sendo coado – no velho coador de pano – o cheiro do curral, com seus cavalos e gado leiteiro, o aroma das selas dos cavalos que cada um segurava, aquele cheiro de couro impregnando nosso olfato, misturado ao suor dos cavalos...
O cheiro da floresta, de verdade, por onde cavalgávamos, desviando de galhos e folhas – nem sempre conseguindo...- o aroma das flores que insistiam em surgir e crescer sem que uma semente houvesse sido plantada por mãos humanas...
Minha primeira bicicleta – vermelha, presente de Natal- aos 4 anos – o cheiro da borracha dos pneus novos,,, da bicicleta, em si, guardo poucas lembranças, a não ser as pedaladas dentro de casa, no quintal, ou nas calçadas das ruas, onde se brincava livremente com as crianças vizinhas. Mas o cheiro da borracha das rodas até hoje me acompanha.
Em outras ocasiões íamos passar férias na Ilha do Governador e ali, numa farmácia muito simples – mas que a meus olhos se transformava em mundo encantado com tantos potes, cremes e óleos – minha mãe comprava óleo Dagele ( não sei se com dois L ) que, além de ter uma cor alaranjada, quase terrosa ( fosse hoje e seria suspeitíssima! ) tinha um aroma todo peculiar !!
Era um encantamento o aroma desse óleo cuja função seria de “proteger” minha pele, mas que pra mim,  trazia, com seu cheiro, maravilhas ao meu olfato. Repetidas vezes me besuntava com aquele líquido viscoso, embora desnecessário, tão somente para acentuar aquele aroma que, mais uma vez, marcou minha infância.
Minhas lembranças de infância, embora triviais, são marcantes em minha vida. Todas muito mais sensoriais que as vividas de verdade, porque penetraram nos meus sentidos e ali se alojaram, sem pedir licença, sem que eu percebesse e se aninharam num recanto remoto da memória, só se mostrando quando, agora adulta, sinto algum aroma parecido.
Mas nunca será parecido com o que sentia antes, porque tudo, absolutamente tudo, era acompanhado de um olhar curioso, da criança que se maravilha com as descobertas que está fazendo do mundo. A percepção do novo é única e, embora situações, aromas, experiências possam se repetir, nada será acompanhado do olhar maravilhado da primeira vez.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

MEU PAI

HOJE QUERO FALAR SOBRE MEU PAI.
AO LONGO DE 38 ANOS TIVE O PRIVILÉGIO DE CONVIVER COM UMA DAS PESSOAS MAIS INCRÍVEIS E EXTRAORDINÁRIAS QUE CONHECI.
21º FILHO DE UMA FAMÍLIA DE 22, DIZIA, RINDO, QUE SEU PRIMEIRO SAPATO NOVO TEVE APÓS OS 18 ANOS DE IDADE. AMAVA LIVROS, MÚSICA CLÁSSICA, MUSEUS, HISTÓRIA, POLÍTICA. DELE HERDEI A PAIXÃO POR TUDO ISSO.
UMA DAS PESSOAS MAIS ÍNTEGRAS QUE CONHECI. HONESTO,...
LEAL, RETIDÃO DE CARÁTER - TUDO ISSO ESTAVA NELE QUE ME PASSOU DE HERANÇA JUNTO COM OS LIVROS, MÚSICA, ETC.
COSTUMO DIZER QUE MEU PAI FOI UMA PESSOA EXTREMAMENTE RELIGIOSA, NO ENTANTO, NUNCA O VI INDO À QUALQUER IGREJA OU TEMPLO, A NÃO SER EM CERIMONIAS ESPECIAIS, COMO CASAMENTOS, ETC.
E O DIGO RELIGIOSO PORQUE, NA INTEGRIDADE DE SUA VIDA, PRATICOU O QUE TODAS AS RELIGIÕES PREGAM: VIVER COM VERDADE, SER HUMANO COM OS OUTROS.
MEU PAI ME ENSINOU QUE, PARA CONVERSAR COM DEUS, POSSO FAZÊ-LO NO SILÊNCIO DE MINHA CASA, ATRAVÉS DE MINHA CONDUTA DIÁRIA DE VIDA.
AGRADEÇO A DEUS POR TER COLOCADO ESSE SER QUE, COM SUA POSTURA, ME ENSINOU QUE, PARA TER UMA VIDA RELIGIOSA, BASTA PRATICÁ-LA NO DIA-A-DIA.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

DE VERDADE.

"PESSOAS NÃO SÃO COISAS NEM BRINQUEDOS.


 SENTIMENTOS HUMANOS SÃO PRECIOSOS DEMAIS PARA SEREM PISADOS.

 NÃO PROCURE DESPERTAR EM ALGUÉM SENTIMENTOS, SE VOCÊ NÃO É CAPAZ DE CORRESPONDER NA MESMA MEDIDA. ISSO SE APLICA A TUDO - AMOR, AMIZADE, CONFIANÇA...

 EMOÇÕES HUMANAS NÃO SÃO MASSA DE MODELAR PARA SEREM "MANIPULADAS" AO SEU BEL PRAZER.

 SE GOSTAR - QUE SEJA DE VERDADE
SE AMAR - QUE SEJA DE VERDADE.
SE SENTIR SAUDADE - QUE SEJA DE VERDADE.
FALE SOMENTE O QUE SENTE E PENSA DE VERDADE.

MAS NÃO APENAS FALE - DEMONSTRE.
LEMBRA- SERES HUMANOS, DESDE QUE O MUNDO EXISTE, SEMPRE PRECISARAM DE CONTATOS HUMANOS PARA SOBREVIVEREM.

CONTATOS DE VERDADE.

VERSOS, POEMAS, TROVAS, POR MAIS LINDOS QUE SEJAM, NÃO SUBSTITUEM UM OLHAR, UM TOQUE DE MÃO, UM ABRAÇO - DE VERDADE.

SEJA DE VERDADE CONVIVENDO, DE VERDADE, COM PESSOAS DE VERDADE."
Simone de Faria
Ver mais

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MENINA EDUCADA

Um dia, quando era pequena, ouvi uma frase: "meninas educadas não fazem isso..."

E eu queria, muito, ser uma "menina educada". O que era, não sabia, mas imaginava, na minha ingenuidade infantil, que fosse aquela que recebe sorrisos de aceitação, que recebe elogios, que é querida e bem quista.

Assim, por querer ser uma "menina educada" não cantei ou dancei na chuva, não corri até ficar encharcada de suor, não pulei o muro pra encontrar namorado, não me atirei em aventuras, não fiquei na praia torrando no sol, não dancei até de manhã em boates ou nas ruas, não toquei campainhas e saí correndo, não passei trotes por telefone, não subi em árvores pra pegar mangas ou goiabas, não matei aula pra ir ao cinema escondida...

Eu queria ser uma "menina educada".

O tempo passou e percebi que ninguém, jamais, deu a mínima para todas as transgressões que deixei de fazer - fazendo-as ou não, a vida continuou no seu ritmo, morno, dolente.

Deixei de viver a vida, de aproveitá-la em seus momentos mágicos. Deixei de viver amores impossíveis, deixei de me entregar a coisas deliciosas, deixei de chorar ou gargalhar em momentos extremos.

"Meninas educadas" não demonstram emoções, não choram, não riem - apenas sorriem - não se entregam a paixões voluptuosas, são amorfas, insossas, inodoras.

Apenas passam pela vida, sem na verdade viver.

O mundo não mudou porque tentei ser uma "menina educada". O mundo não perderia nada se não o fosse.

Quem perdeu, na verdade, fui eu - que me neguei o direito de viver a vida em sua plenitude, por querer ser uma "menina educada" ao invés de querer ser uma PESSOA.