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Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

TUTTI

TUTTI

Nos dois primeiros dias chegou no colo da minha filha – pelo brilhante  preto, mancha branca na cara que nem uma máscara, olhos meigos – e sempre fazia as mesmas coisas: tomava leite, bebia água e depois dormia – a tarde toda, enroscada, saciada, segura. No início da noite era levada de volta ao lugar em que foi encontrada.
Na manhã seguinte, vinha ela, pulando no colo da minha filha na piscina do clube. No terceiro dia, decidi que ela ia ficar. Demos um nome – Tutti – e aquela figurinha com pouco mais de 2 meses de idade ( segundo o veterinário ) entrou em nossas vidas, entrou em minha vida e dela se adonou.
Andava pela casa, livre, segura, aconchegada. Só gostava de dormir na minha cama e, à noite, se ousasse colocá-la na cozinha ou na área, miava alto, fazendo escândalo, protestando até ser atendida. Ao longo de sua vida, outros amigos chegaram – o primeiro ela recebeu meio arredia, no princípio, mas dois dias depois, estava deitada no chão amamentando o novo amigo que não saiu de dentro dela, mas tornou-a mãe, com leite e todo amor pra cuidar dele. Outros vieram, nasceram – ela arredia, no princípio, matriarca logo depois.
Quando eu chegava em casa era sempre a que estava na porta me esperando. Dava um miado baixo, meigo, demonstrando saudade e boas vindas. E aí grudava em mim, onde estivesse, ela estaria. Deitada no chão me olhando, atenta a qualquer movimento ou reação minha. Uma vez fiquei doente e ela passou todo o tempo deitada ao meu lado, me olhando com olhos melados mas que transmitiam a impotência em não poder fazer nada.
Eu costumava dizer que alguém falou pra ela que tinha alma de cachorro; tomava conta da casa, me avisava se algum amigo estava preso em algum quarto ou banheiro, se o filtro tinha vazado inundando a cozinha... Chegava miando forte e enquanto não a acompanhasse pra ver o que era, não sossegava...
No colo, só se fosse segura como um bebê – barriga pra cima – e nesses momentos conversávamos, ela e eu, eu falando, ela miando, me respondendo. O amor nos olhos dela me acompanhava cada momento. Colo, só o meu, de mais ninguém. Ficava na porta do box, enquanto tomava banho, linda, matriarca, amor em forma de gata.
Dezesseis anos do mais puro, incondicional, inquestionável amor. Amor sem pedir nada em troca. Leal, fiel, doce, meiga até o último momento. Os últimos quinze dias de vida passou no meu colo, na posição que tanto gostava e só comia de colher dada por mim.
E numa tarde, deitada no meu colo, aconchegadas nós duas, num determinado momento, virou o rosto, olhou fixo nos meus olhos e parou de respirar.
Perdi minha companheira, confidente, amiga – conversava toneladas com ela, sobretudo sonhos, esperanças, alegrias, traições e ela sempre ao meu lado, brincando quando era hora, quieta quando respeitava minha dor.
Perdi minha amiga; parte de mim viveu e morreu com ela. Minha Tutti Tutti, como a chamava, não está mais. Partiu no meio da tarde, serena, segura, no meu colo,como gostava, deixando uma saudade imensa que só faz aumentar cada dia.
Mas sou abençoada, privilegiada porque durante dezesseis anos minha Tutti Tutti iluminou e aqueceu minha vida.

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