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Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

idas e vindas

IDAS E VINDAS

A chegada dele é pressentida muito antes  mesmo que apareça. As montanhas retiram o xale da noite que usaram pra se agasalhar e ficam lá, à espera que ele chegue. E ele vem, em todo seu esplendor de luz. No princípio, tal namorado iniciante, vai explorando cada pedaço, começando com um calor morno, agradável.
Depois vai explodindo, paixão intensa, queimando cada fenda, cada recanto, amante insaciável, não se contentando com uma ou algumas, mas alcançando todas, sem distinção de localidade, idade ou belezura.
Enquanto ele aparece tímido, as árvores da praça acordam, sacodem os galhos, abanam as folhas pra espantarem os restos do sono da noite. E se preparam pra fazer o que sabem de melhor – fornecer sombra. Os bancos ali embaixo receberam e recebem visitantes, alguns sentam aos pés, na terra; sonhos são partilhados, mágoas são trocadas, paixões relembradas e renovadas.
A  praça começa a tomar vida – a padaria abre as portas, logo cedo, com o cheiro inebriante da primeira fornada de pão. Chegam os clientes ... mulheres apressadas em voltar pra casa – têm que levar menino pra escola; os sonolentos também chegam, bocejando, tomam no balcão o primeiro café do dia que disputa com o pão o melhor aroma matinal. Sempre se encontra tempo pra dois dedos de conversa inconseqüente, meio sonada, só mesmo pra afastar os últimos sinais do sono que teima em ficar.
Depois chegam os jogadores de dama, xadrez e sueca – mesmos caminhos de vida, sonhos alcançados, ou não, lembranças compartilhadas de uma época comum.
Após almoço, vem aquela modorna, o sol brilhando forte, exigente no seu calor e esplendor, amante voraz que não se contenta mais só com as montanhas – vem aquecendo, queimando, tudo e todos.
Mas como amante voraz, não fica muito tempo. Depois de se saciar com os recantos das montanhas, de aquecer tudo e todos, logo se cansa, volúvel. Vai  em busca de novos amores, novas paixões, pra espalhar, derramar seu calor, sua queimação, não escolhendo montanhas, pradarias, vilas ou cidades. Apenas cumprindo seu caminho que só é atrapalhado quando algumas nuvens, leves ou densas, ousam encobrir seu fogo de amor e paixão.
Mas como tudo passa, ele sabe que as nuvens também seguirão seu caminho e ele continuará soberano e quente chegando a cada manhã, sabendo que as montanhas vão se despir do xale da noite, pra, em plenitude de nudez, recebê-lo, sem pejo, sem pudor ou ciúmes por serem tantas as amantes.

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