A CHUVA
Ela entrou no bar, correndo da chuva. Encharcada até os ossos, ali era mais um refúgio que propriamente um lugar pra tomar um café. Na parede lá nos fundos havia um grande espelho, daqueles bem antigos, que refletiu a imagem dela. “Cruzes, pareço um cachorro encharcado!” ela pensou, rindo de si mesma.
Tentou dar um jeito no cabelo, mas as coisas só pioravam. Deixou pra lá e pediu ao garçom idoso que trouxesse um café forte e bem quente. Tudo ali era antigo. Esperava que, pelo menos, o café fosse recente... riu mais uma vez...
Olhou em volta do bar. Numa mesa próxima, seus olhos cruzaram com os de um homem que estava observando tudo que ela fazia. Pelo jeito, chegou bem antes dela – estava menos molhado e já tinha um café na sua frente. Ele olhou pra ela e deu aquele sorriso de cumplicidade – dois enxotados da rua, pela chuva, pra dentro daquele velho bar.
Quando o garçom chegou com café, ela olhou para o homem e ele levantou a xícara em direção a ela. Fizeram um brinde silencioso, sorriso no canto da boca.
Ela levantou e foi ao banheiro, tentar se enxugar um pouco. A porta externa se abriu e lá estava, parado, o outro cliente. Sorriram um para o outro. Ele trancou a porta e foi em direção a ela. Ali se beijaram,se agarraram, fizeram amor. Sem dizer uma palavra. Apenas sussurros de prazer e gritos de clímax. Como chegou, ele partiu, sem dizer uma palavra.
Quando ela saiu do banheiro, ele estava colocando sobre a mesa o dinheiro do café que tomou. Caminhou para a porta do bar, viu que a chuva tinha passado e partiu. Ela pagou seu café e saiu do bar, caminhando em outra direção.
Um comentário:
Lindo texto...
Encontros fortuitos, alguns inesquecíveis.
Adorei.
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