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Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































quarta-feira, 5 de dezembro de 2012


LIDANDO COM A MORTE

 Ontem me perguntaram: “qual foi a primeira vez que você lidou com a morte?” – de imediato me lembrei da minha amiga, de 21 anos, como eu, que, num domingo estava no cinema e, na 4ª feira, estava morta. 
Foi a primeira vez que me deparei com a morte. Além da perda em si, a tragédia ainda crescia pela rapidez com que uma doença assintomática, tomou-a de assalto e levou-a, 5 meses antes de seu casamento. A dor foi acompanhada pela surpresa, pelo inesperado, como se agigantando na minha frente.
No entanto, passado o momento dessa primeira resposta, comecei a pensar que existem várias mortes em nossas vidas – físicas e emocionais. Somos obrigados a viver inúmeros lutos, em maior ou menor intensidade, mais longos ou breves. 
Mas o luto está presente em nossa vida, como nos mostrando a finitude. Através desses lutos, vamos nos fortalecendo, buscando escoras emocionais em nosso interior. Existem pessoas que se jogam nos lutos da morte física, mas ignoram ( ou pelo menos fingem ignorar ) as mortes emocionais. 
Repensando minha vida, vi que a primeira morte que enfrentei foi a perda dos meus “pais de infância”. Não que tenham morrido, fisicamente, mas as figuras que enxergava, até então, foram substituídas, pouco a pouco, por outras, já sob um olhar de início de adolescente.
Hoje consigo perceber que, naquele momento, tive, inconscientemente, a sensação do “vazio” -  inexplicável, então, mas tão visível para a mulher que me tornei. Não só lembro da “perda” em si, como dos sentimentos que me engolfaram, por longo tempo, sem que eu conseguisse dar a eles identidade, nome ou compreensão.
E mais uma vez, hoje, me deparo com a morte – dessa vez física – de uma das minhas gatas – Constança.
Caminhando pela rua, voltando para casa, pensava nesse lidar com a morte, após levá-la para ser cremada ( contra minha vontade, porque sempre coloquei meus ‘peludos’ em local onde eu pudesse voltar e visitá-los, mas hoje não foi possível ).
Sempre busquei um recolhimento, para viver meus lutos. Entendo que, como o nascimento, a morte é vivida solitariamente. Seja  a morte de um ser vivo, seja de um sentimento, de uma etapa de vida. Sempre procurei o recolhimento, o isolamento.
Não consigo transmitir com palavras ou gestos o que sinto. O vazio se instala e ali permanece por um longo tempo. 
Entendo que esses vazios fazem parte de nossa vida, são mesmo necessários, para que o novo tenha espaço ao chegar até nós. Mas não tenho pressa que eles desapareçam – pelo contrário, deixo-os existirem, amadurecerem em mim, enquanto eu, também, amadureço com eles, como se estivesse me preparando para o novo que vai chegar.
Sei que outros lutos virão e vou ter que lidar com a morte várias vezes, ainda. Nunca lidarei da mesma forma. Cada vez será única, porque eu, também, serei única, renovada, amadurecida, mais sensível. Lágrimas virão, em maior ou menor quantidade – nada a ver com a intensidade dos sentimentos, mas tão-somente reflexos do meu interior naquele momento.
Assim, vou vivendo minha vida e, ao mesmo tempo, lidando com a morte.

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