LIDANDO
COM A MORTE
Foi a primeira vez que me deparei com a morte. Além da perda em si, a tragédia ainda crescia pela rapidez com que uma doença assintomática, tomou-a de assalto e levou-a, 5 meses antes de seu casamento. A dor foi acompanhada pela surpresa, pelo inesperado, como se agigantando na minha frente.
No
entanto, passado o momento dessa primeira resposta, comecei a pensar que
existem várias mortes em nossas vidas – físicas e emocionais. Somos obrigados a
viver inúmeros lutos, em maior ou menor intensidade, mais longos ou breves.
Mas o luto está presente em nossa vida, como nos mostrando a finitude. Através desses lutos, vamos nos fortalecendo, buscando escoras emocionais em nosso interior. Existem pessoas que se jogam nos lutos da morte física, mas ignoram ( ou pelo menos fingem ignorar ) as mortes emocionais.
Repensando minha vida, vi que a primeira morte que enfrentei foi a perda dos meus “pais de infância”. Não que tenham morrido, fisicamente, mas as figuras que enxergava, até então, foram substituídas, pouco a pouco, por outras, já sob um olhar de início de adolescente.
Mas o luto está presente em nossa vida, como nos mostrando a finitude. Através desses lutos, vamos nos fortalecendo, buscando escoras emocionais em nosso interior. Existem pessoas que se jogam nos lutos da morte física, mas ignoram ( ou pelo menos fingem ignorar ) as mortes emocionais.
Repensando minha vida, vi que a primeira morte que enfrentei foi a perda dos meus “pais de infância”. Não que tenham morrido, fisicamente, mas as figuras que enxergava, até então, foram substituídas, pouco a pouco, por outras, já sob um olhar de início de adolescente.
Hoje
consigo perceber que, naquele momento, tive, inconscientemente, a sensação do
“vazio” - inexplicável, então, mas tão
visível para a mulher que me tornei. Não só lembro da “perda” em si, como dos
sentimentos que me engolfaram, por longo tempo, sem que eu conseguisse dar a
eles identidade, nome ou compreensão.
E
mais uma vez, hoje, me deparo com a morte – dessa vez física – de uma das
minhas gatas – Constança.
Caminhando
pela rua, voltando para casa, pensava nesse lidar com a morte, após levá-la
para ser cremada ( contra minha vontade, porque sempre coloquei meus ‘peludos’
em local onde eu pudesse voltar e visitá-los, mas hoje não foi possível ).
Sempre
busquei um recolhimento, para viver meus lutos. Entendo que, como o nascimento,
a morte é vivida solitariamente. Seja a
morte de um ser vivo, seja de um sentimento, de uma etapa de vida. Sempre
procurei o recolhimento, o isolamento.
Não
consigo transmitir com palavras ou gestos o que sinto. O vazio se instala e ali
permanece por um longo tempo.
Entendo que esses vazios fazem parte de nossa vida, são mesmo necessários, para que o novo tenha espaço ao chegar até nós. Mas não tenho pressa que eles desapareçam – pelo contrário, deixo-os existirem, amadurecerem em mim, enquanto eu, também, amadureço com eles, como se estivesse me preparando para o novo que vai chegar.
Entendo que esses vazios fazem parte de nossa vida, são mesmo necessários, para que o novo tenha espaço ao chegar até nós. Mas não tenho pressa que eles desapareçam – pelo contrário, deixo-os existirem, amadurecerem em mim, enquanto eu, também, amadureço com eles, como se estivesse me preparando para o novo que vai chegar.
Sei
que outros lutos virão e vou ter que lidar com a morte várias vezes, ainda.
Nunca lidarei da mesma forma. Cada vez será única, porque eu, também, serei
única, renovada, amadurecida, mais sensível. Lágrimas virão, em maior ou menor
quantidade – nada a ver com a intensidade dos sentimentos, mas tão-somente
reflexos do meu interior naquele momento.
Assim,
vou vivendo minha vida e, ao mesmo tempo, lidando com a morte.
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