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Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































sexta-feira, 16 de novembro de 2012


TEMPOS DIFERENTES – SERES IGUAIS

 

Quando era adolescente esperava, ansiosa o carteiro chegar. A esperança de receber uma carta de um namorado sempre me acompanhava, diariamente. Alguns dias se passavam, e a carta não chegava. Mas, um dia, lá estava o envelope, com aquela letra tão conhecida, meu nome como destinatária.

Sofregamente, corria pra um lugar tranquilo, isolado, onde pudesse saborear a carta. Abria o envelope, mãos rápidas, coração acelerado, expectativa das palavras que leria. E me deparava com uma única folha, com umas 10 frases, talvez, que muito pouco diziam, mas nessas poucas palavras encontravam-se as “mágicas”  - saudade, te amo, beijo...

Essas 3 palavras isoladas já compensavam a pobreza do texto, porque mesmo que viessem sozinhas já teriam cumprido seu papel de aquecer meu coração. Quando se é jovem, nosso nível de exigência literária fica restrito a umas poucas palavras que representem sentimentos compartilhados ou sonhados. Nada muito rebuscado – somente as 3 palavras bastavam.

A espera pelas cartas se arrastava por dias, o carteiro se tornava o centro de atenção, como se, a simples presença dele, pudesse iluminar dias cinzentos da distância do amado. A angústia dessa separação tornava, talvez, a chegada da carta mais preciosa, mais valiosa.

Havia, nessa época, um lirismo que acompanhava cada momento de espera, de encontro, de reencontro. Os lapsos temporais preenchidos por episódicas cartas ou telefonemas transformavam o “estar juntos” em algo quase mágico – porque eram tempos em que a saudade ardia no peito, havia tempo para vivenciar determinados sentimentos, emoções – boas ou ruins.

Hoje, tempos diferentes. Imediatismo tomando conta de tudo. Mensagens instantâneas jorram em celulares e redes sociais. As palavras “mágicas” foram substituídas por letras ou símbolos – não existe mais o lapso temporal que aguça a expectativa dos reencontros. Tudo está à nossa frente, disponível, bastando apertar algumas teclas, de computador ou celular.

A cibernética acabou com o “tempo” de sentir a saudade. Já estão distante as longas esperas pelo carteiro, a ansiedade em abrir um envelope, o peito apertado pela separação do amado. As janelas, onde olhávamos a rua, seguidamente, esperando a hora do reencontro, - como se olhar frequente tivesse o dom de apressar a chegada – essas janelas acabaram, transformaram-se em “windows”...

Os tempos são diferentes, mas os sentimentos humanos permanecem. Entretanto a voracidade de toda essa modernidade aniquilou o lirismo, o romantismo, a espera, a saudade. Toda essa rapidez em apertar teclas e poder ver o amado através de uma tela de computador, ao invés de facilitar a aproximação, o que fez, de verdade, foi tornar as pessoas satisfeitas com a presença distante.

Não mais valorizam-se o toque de pele, o olhar apaixonado, o respirar no pescoço, as mãos se encontrando, dedos entrelaçados, remexer no cabelo do outro... Tudo episódico, imediato, mas tão frio, tão impessoal, tão despido de sentimentos e emoções fisicamente possívels de serem demonstradas.

Tenho saudades do tempo em que se podia e se sabia sentir saudade.

 

 

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