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Simone,


A luz que brilha nos meus olhos vem da minha mente, fervilhante de idéias, pensamentos, sonhos...através de meus dedos e mãos trago vida a esse turbilhão, colocando em palavras o que insiste em gritar dentro de mim...

Cada movimento das árvores bailando ao vento traz encanto e paz ao meu ser; cada pássaro que ouço da minha janela traz música à minha alma...Assim sou eu, dando valor a cada pequena coisa, tornando-a valiosa e importante!



Simone































terça-feira, 18 de março de 2014

A Estrada



ESTRADA

“Uma estrada liga um lugar chamado Indiferença a outro chamado Afastamento.
Estrada sombria, permanentemente  cheia de nuvens pesadas. Nem a chuva visita essa estrada – as nuvens permanecem lá em cima, apenas encobrindo o sol, mantendo tudo cinza.
Estrada solitária, que é percorrida, de vez em quando, por pessoas solitárias, soturnas. A tristeza margeia essa estrada – nada de árvores, pássaros cantando ao seu redor... Restos de árvores, sem folhas, mostrando que nada de bonito ali floresce.
Quem sai desse lugar tristonho, chamado Indiferença só encontra essa estrada para caminhar... e é estreita, tortuosa, cheia de altos e baixos... Repousar, somente nas laterais, mas o chão é áspero, frio, assim como o vento que sopra todo o tempo...
O caminhante, apesar da desolação, continua em seu caminho – sabendo exatamente que, ao final, entrará em Afastamento. 

Algumas vezes esse caminhante reconhece, em Afastamento, algo de familiar – uma sensação de já ter estado por ali... e talvez tenha estado, mesmo... afinal, ali só se chega por essa estrada... então, quem sai de Indiferença sempre vai chegar, pela estrada cinza, a Afastamento.
Lugar estranho – uma grande praça, somente – larga demais que deve ser cruzada a passos lentos, para não se cansar e recuperar o fôlego roubado pela estrada. Porque a respiração fica difícil, ao longo dessa estrada.
Apertos no coração, angústia, solidão invadem o caminhante durante todo o percurso. 

Só lhe resta pensar em tudo que deixou em Indiferença. Mas isso requer esforço, também, porque ninguém consegue explicar – nem o caminhante se lembra – como chegou a esse local, Indiferença.
O que sabe é que, um dia, resolveu dar o primeiro passo em direção a Afastamento, mesmo sabendo da estrada soturna, cheia de nuvens cinza.
Afastamento é um lugar estranho... o caminhante tenta olhar para o outro lado da praça – em sua imensidão, seus olhos se perdem, como se estivesse diante de um grande oceano...
Como já esteve em Afastamento antes , sabe que deve caminhar, caminhar muito, sentando pra descansar, de vez em quando. Muitos dias passarão, nesse caminhar.
No princípio, por um bom trecho, na verdade, Afastamento é coberto pelas nuvens da estrada, o mesmo vento frio sopra, entrando nos ossos, trazendo arrepios... outros caminhantes também passam...mas o silêncio é quase palpável... nada se ouve, nenhum suspiro, sequer um gemido...
Como uma grande conformação coletiva, passam sem olhar um para outro – os vários caminhantes – cada um olha para seu próprio interior, como se buscasse respostas a perguntas que insistem em gritar em sua cabeça, em seu coração...
E vagam por ali, a cada vez tentando ir se aproximando daquele ainda não visível outro lado da gigantesca praça...

Mas, embora não visível, caminham, porque sabem que lá, bem longe, está uma outra estrada, que sai de Afastamento e conduz a outro lugar, chamado Amor-Próprio...”
Simone de Faria

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