DUIÚ IXPÍQUI ÍNGLIXI ?
Fico fascinada com a intimidade, a familiaridade que os brasileiros adquiriram com a língua inglesa. O que antes era restrito ao alguns pouquíssimos eleitos que podia estudar em cursos especializados em idiomas ou, aqueles, em número muito menor, que podiam viajar ao exterior ( alguns até estudar lá fora, sonho dos sonhos ! ), a partir de um momento começou a ser de acesso geral.
O que é excelente – ou melhor, seria, porque, enquanto as coisas estava restritas aos sanduíches dos fast food... ( que, aliás, falava-se sem saber o que é fast food...), uma ou outra faixa de “sale” que as mulheres não compreendiam o significado, mas, tem faixa vermelha, É LIQUIDAÇÃO.... as coisas ainda caminhavam de forma razoável...
Mas a informática, a globalização, tudo isso fez com que o outro lado do mundo se tornasse o quintal da nossa casa – podemos abrir uma “janela” e estamos vendo o que se passa por lá...ou seja, a bisbilhotice foi informatizada...
Nisso tudo o que mais me espanta é o fato de que, de repente, nessa era cibernética, todo mundo passou a sabe falar e escrever em inglês.... ou pelo menos pensa que... as palavras são utilizadas no vocabulário cotidiano, como se aprendidas desde o berço...agora, as pronúncias e as escritas...
Download tem múltiplas sonoridades: dónlód, daunnlôude, danlôd, dá um lôud, donlôd...o mesmo acontece com back up...vira e mexe ouvimos a frase espantada ‘mano tu num fez béquáp? num acreditu cara...pô nem pro ái podi tu passou? nem pen draivi? aí, malandro, marcô toca, danço...’
Site já vi escrita de várias maneiras, mas a campeã é mesmo o famoso sáiti... e tome de colocar palavras em inglês, falando ou escrevendo...
Muito em voga, a síndrome de burnout ( que é seríssima e tem que ser analisada com todo cuidado ) mas vira burnót, burnáuti... Atualmente palavras como pit sop, workholic, break integram nosso vocabulário com muita naturalidade.
A cidade que nunca dorme, tem várias entonações ( talvez pra acompanhar as notas da canção que a imortalizaram ) – Nú iôrq ( os mais “eruditos” ), neu iórqui, nu iórqui ( muito comum ),, ên uai ci ( pra quem gosta de inniciais ), níqui ( íntimos, mas com risco de ser confundido com nossa vizinha de frente, do outro lado da baía )
Antes, quando alguém estava com uma roupa exagerada ou falava com muita ênfase, era exagerado....agora é over, que pode ser ôuver, também, sem problema algum, dependendo de quão over seja....
Os computadores passam todos os comandos EM INGLÊS.... para pessoas de mais idade, já é uma loucura lidar com tantos mecanismos, e ainda em inglês!!!!!!! Outro dia, ouvi a conversa de duas garotas, faixa de 14/15 anos, em que uma contava pra outra sobre o ficante: “já deu, Ju, sabe...” e a Ju, ‘sabendo tudoooo’, sai-se com a seguinte pérola: “ah deleta, cara, deleta e parte pra outra, fila anda, amore...”
Delete...em informática, significa apagar erros ou mudanças de texto... agora, serve pra pulverizar pessoas indesejáveis...
Olhando as teclas do meu notebook ( NÃO EXISTE UMA PALAVRA EM PORTUGÊS PRA DEFINIR ESSA COISA PEQUENA QUE A GENTE CARREGA) vejo que TODAS as teclas estão com as funções EM INGLÊS...
Aí ficamos naquela situação: dá o control c, abre a outra página, dá o control v, mas se quiser, dá control alt del ( e seu 3 dedos devem ser muito flexíveis, porque as 3 teclas têm que ser apertadas simultaneamente... ) que apaga tudo e recomeça do zero... o que significa que vai reiniciar tudo, com TODAS AS ORDENS E COMANDOS....EM INGLÊS...
Sabe o que é power point? sabe o significado dessa expressão? não? mas sabe TRABALHAR COM POWER POINT? então está tudo ótimo... e o Office? tem familiaridade com ele? com excell? tem ipod? tem ipad? tem tablet?
Outro dia, uma amiga aflita veio me perguntar o que era ‘password’...ela queria entrar num ‘chato’ – expliquei que é ‘chat’ ( ela não sabia o que era...) e me disse que precisava de password...mas sequer sabia o que era, como podia fazer???
Pra sobreviver atualmente você deve responder à pergunta ( não importa a pronúncia ) duiú ixpíqui inglixi?
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