PRIMEIRA VEZ
“Cristina, tudo bem?”
“Oi, menina, você não morre tão cedo! Hoje mesmo estava pensando em você...”
“Pensando bem, eu espero, né?”
“Sabe, eu tava lembrando daquele dia que nós fomos almoçar e vimos aqueles dois gatos lindos, maravilhosos...lembra?”
“Se lembro?? Você acha que dá pra esquecer duas bênçãos daquelas? Dois deuses...mas é daí? Por quê lembrou de mim?”
“Acredita que eu dei de cara com um deles, aquele louro, liiiindo, numa exposição de fotografias?”
“Jura? E como foi? Conta tudo, todos os detalhes... falou com ele? Pegou telefone? Ele pediu seu telefone?... Conta, conta”
“Calma ! Primeiro eu olhei e não acreditei. Pensei: obrigada, Senhor, por colocar essa visão dos céus outra vez na minha frente!! Fiquei parada, estatelada, não conseguia quase nem respirar com medo que ele evaporasse... Aí, ELE me viu! Não te conto!! Ele riu pra mim! Quase desmaiei... Veio andando na minha direção, que nem um deus grego, olhando fixo e me perguntou: ‘não nos conhecemos de algum lugar? ’
“Sei que isso é super batido, mas eu achei o MÁXIMO! “
“Conta mais! E aí ? Rolou o quê ?”
“Calma! Eu disse que a gente já tinha se visto naquele almoço, que ele estava com um amigo e eu estava com uma amiga. Ele me olhou fixo e disse: ‘é, mas faz de conta que hoje é a primeira vez, tá ?’
“Quando ele disse isso, menina, senti um frio me subindo a espinha – sabe aquele arrepio que a gente sentia quando era adolescente...”
“Então não sei!! Ah! que saudade desse arrepio... mais, conta mais...”
“Ele pegou um vinho pra nós e ficamos os dois olhando uma pro outro... a gente se devorava...de repente, sem dizer uma palavra, ele pegou minha mão, me puxou e, sem falar nada, me levou pro carro dele...”
“Ui! Não me diz que foi no carro?!...”
“Que carro! Ele dirigia calado, segurando minha mão, me olhando de vez em quando, sorria e dava um aperto na mão...”
“E você? Quê você falava?”
“Que falar? Eu lá era louca de quebrar aquele clima, aquela magia...me sentindo seqüestrada por um homem de quem eu não sabia nada, não sabia onde me levava... só sabia que era muuuuuito lindo !...vou falar o quê? Sou louca?”
“Tá, ficou muda, tá certo, mas e ai?”
“Apartamento dele, nos amamos loucamente! Ele sem roupa é um DELÍRIO! Foi uma fogueira – mãos, línguas, pernas, suor, cabelos, uma comunhão, uma coisa que nunca senti...”
“Nossa! Até eu tô arrepiada, me remexendo na cadeira! Me abana...”
“Depois nos vestimos, ele me levou de volta pra exposição, eu saltei e ele partiu...”
“COMO PARTIU ? Partiu, partindo? Foi embora? Te deixou lá plantada ... não deu nem telefone??”
“Eu não preciso de telefone – eu tive ele – inteiro, completo – sem palavras, sem nome, sem telefone...o que eu queria dele, eu recebi...e, afinal, quem sabe se a gente se encontrar outra vez, a gente não vai fingir de novo que é a primeira vez!...”
Um comentário:
Sensacional!!!!!
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